Sobre a história natural da doença, leia abaixo o excerto ex...

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Q3988694 Saúde Pública
Sobre a história natural da doença, leia abaixo o excerto extraído de um artigo científico:

A doença era sinal de desobediência ao mandamento divino. A enfermidade proclamava o pecado, quase sempre em forma visível, como no caso da lepra. Trata-se de doença contagiosa, que sugere, portanto, contato entre corpos humanos, contato que pode ter evidentes conotações pecaminosas. O Levítico detém-se longamente na maneira de diagnosticar a lepra; mas não faz uma abordagem similar para o tratamento. Em primeiro lugar, porque tal tratamento não estava disponível; em segundo, porque a lepra podia ser doença, mas era também, e sobretudo, um pecado. O doente era isolado até a cura, um procedimento que o cristianismo manterá e ampliará: o leproso era considerado morto e rezada a missa de corpo presente, após o que ele era proibido de ter contato com outras pessoas ou enviado para um leprosário. Esse tipo de estabelecimento era muito comum na Idade Média, em parte porque o rótulo de lepra era frequente, sem dúvida abrangendo numerosas outras doenças.
Moacyr Scliar

Assinale a alternativa que se refere ao paradigma identificado no texto.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O trecho que afirma que a doença era sinal de desobediência ao mandamento divino e que a lepra era, sobretudo, um pecado indica que a explicação da enfermidade está centrada em transgressão moral-religiosa, o que conduz ao paradigma mágico-religioso.

Tema central: Paradigma mágico-religioso
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. A teoria dos miasmas exige explicação por ares corruptos, emanações ou causalidade atmosférico-ambiental. Nada disso aparece no excerto.
B
Errada
Incorreta. Multicausalidade pressupõe rede de múltiplos determinantes. O texto não constrói modelo multifatorial; ele centra a explicação no pecado e na desobediência divina.
C
Errada
Incorreta. Há menção à contagiosidade, mas isso não define o paradigma predominante. O eixo etiológico do texto é moral-religioso, e o isolamento aparece como consequência social e religiosa da condição do enfermo, não como núcleo da teoria explicativa.
D
Errada
Incorreta. A teoria ambiental exigiria relação da doença com meio ambiente, condições físicas do entorno ou fatores ecológicos. O excerto não atribui a enfermidade a esse tipo de causalidade.
E
Certa
A alternativa E está certa porque o excerto interpreta a doença a partir de uma lógica moral e religiosa: enfermidade como expressão de pecado e desobediência divina. Esse é o traço definidor do paradigma mágico-religioso, no qual a explicação da doença não se organiza por causalidade naturalista, mas por referência ao sagrado, à culpa e à punição.
Pegadinha da questão
A confusão real era marcar teoria contagiosa só porque o texto menciona 'doença contagiosa' e isolamento. Esses elementos aparecem no excerto, mas não comandam a explicação; o que domina é a leitura da doença como pecado e desobediência divina.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão sobre paradigma explicativo, identifique qual é o eixo causal dominante do texto, não uma informação acessória isolada.
  • Se a doença é apresentada como pecado, culpa, castigo ou desobediência ao divino, o enquadramento é mágico-religioso.
  • Não confunda medida social ou sanitária, como isolamento, com a teoria etiológica central do excerto.

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