A criança vítima de maus tratos frequentemente chega ao cir...

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Q3912081 Medicina
A criança vítima de maus tratos frequentemente chega ao cirurgião pediátrico com lesões traumáticas, muitas vezes sem história adequada compatível com o padrão de trauma. Considerando esse tema, analise as afirmativas a seguir.

I.Fraturas metafisárias em alça de balde ("bucket handle"), lesões costais posteriores e hematomas múltiplos em diferentes estágios evolutivos são sinais altamente sugestivos de abuso físico.

II.Deve-se suspeitar de abuso frente a trauma abdominal com lesões pancreáticas ou hepáticas significativas sem mecanismo plausível, especialmente em lactentes.

III.Se a família apresenta "história explicativa" coerente, a investigação interna e a notificação obrigatória deixam de ser necessárias.


Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Fraturas metafisárias clássicas, fraturas costais posteriores, equimoses em diferentes estágios e lesão abdominal significativa sem mecanismo plausível são achados de alta suspeição para abuso físico infantil; a história familiar aparentemente coerente não afasta a suspeita, de modo que I e II são verdadeiras e III é falsa.

Tema central: Abuso físico infantil
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque reúne as duas assertivas sustentadas pelo padrão médico de suspeição de maus-tratos. A assertiva I descreve achados com alta força semiológica para abuso físico: fratura metafisária clássica, lesão costal posterior e equimoses em fases diferentes, conjunto que sugere mecanismo não acidental e repetição de trauma. A assertiva II também está correta porque lesões pancreáticas ou hepáticas significativas, especialmente em lactentes, sem mecanismo acidental plausível, exigem suspeita de trauma não acidental. Já a assertiva III é incompatível com o critério decisivo da questão: em violência contra criança, a coerência aparente da narrativa não afasta suspeita fundada no padrão das lesões, nem dispensa investigação e notificação, que se baseiam em suspeita razoável, não em confirmação definitiva.
B
Errada
Está errada porque inclui a assertiva III. O erro médico é tratar a história familiar aparentemente coerente como elemento suficiente para excluir maus-tratos. Pela base, a suspeita decorre da relação entre lesão, mecanismo referido e contexto; quando o padrão lesional é típico ou desproporcional à história, a investigação deve prosseguir e a notificação continua indicada.
C
Errada
Está errada porque exclui a assertiva I, que descreve achados clássicos fortemente sugestivos de abuso físico infantil. Fraturas metafisárias clássicas, fraturas costais posteriores e hematomas múltiplos em diferentes estágios evolutivos não se alinham com trauma acidental trivial em crianças pequenas e têm peso semiológico central na suspeita de maus-tratos.
D
Errada
Está errada por dois motivos médicos objetivos: mantém a assertiva III, que é falsa, e exclui a assertiva II, que é verdadeira. Lesão abdominal importante, como lesão pancreática ou hepática significativa sem mecanismo plausível, especialmente em lactentes, é um sinal de alerta para abuso físico e não pode ser descartada como acidente banal apenas pela ausência de história convincente.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre relato familiar aparentemente coerente e exclusão de suspeita. O ponto correto é que, diante de padrão lesional típico ou mecanismo implausível, a narrativa do acompanhante não dispensa investigação nem notificação.
Dica para questões semelhantes
  • Valorize o padrão da lesão mais do que a aparência de coerência da história quando houver incompatibilidade entre mecanismo referido e dano encontrado.
  • Memorize como sinais de alta suspeição: fratura metafisária clássica, fratura costal posterior e equimoses em diferentes fases evolutivas.
  • Inclua trauma abdominal significativo sem mecanismo plausível, especialmente em lactentes, entre os cenários que exigem pensar em abuso físico.
  • Em violência contra criança, a lógica da notificação é baseada em suspeita razoável, não em certeza diagnóstica.

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