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Q3192081 Medicina
Homem, 35 anos, com histórico de comunicação interventricular (CIV) corrigida cirurgicamente na infância, apresenta dispneia progressiva, fadiga e edema de membros inferiores. Ao exame físico, nota-se sopro sistólico em foco mitral e segunda bulha fixa. Ecocardiograma transtorácico revela hipertrofia ventricular esquerda significativa, fração de ejeção preservada e dilatação da aorta ascendente. Qual é a complicação mais provável nesse caso? 
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Tema central: Complicações tardias em adultos com cardiopatia congênita corrigida (CIV), especialmente aortopatia com regurgitação aórtica secundária à dilatação da aorta ascendente.

Alternativa correta: A – Insuficiência aórtica secundária à dilatação da aorta ascendente.

Por quê? Em portadores de CIV (principalmente perimembranosa/subarterial), há risco de prolapso de cúspide aórtica e de dilatação da raiz/aorta ascendente ao longo da vida, predispondo à insuficiência aórtica (IAo). O ecocardiograma mostra explicitamente dilatação da aorta ascendente, um marcador de aortopatia que frequentemente evolui para IAo. Clinicamente, dispneia, fadiga e edema podem refletir congestão por valvopatia. Diretrizes (AHA/ACC 2018 ACHD; ESC 2020 ACHD; ACC/AHA 2022 Doença da Aorta; ESC 2021 Valvopatias) recomendam vigilância seriada da raiz/aorta e da gravidade da IAo em adultos com história de CIV.

Pegadinha:Segunda bulha fixa” sugere fortemente CIA, mas o eco não descreve sobrecarga/dilatação de câmaras direitas. Além disso, o achado decisivo aqui é a dilatação da aorta, que direciona para IAo. Não se prenda a um único achado auscultatório quando a imagem aponta outro caminho.

Por que as demais estão incorretas?

B) Estenose mitral reoperatória: Não há histórico de cirurgia mitral. O sopro descrito é sistólico em foco mitral (mais compatível com insuficiência mitral funcional), enquanto estenose mitral cursa com rouco diastólico e aumento de AE/gradiente transmitral no eco, ausentes no caso.

C) Tromboembolismo pulmonar: Quadro típico é agudo (dispneia súbita, dor pleurítica, taquicardia). No eco, esperaríamos sinais de sobrecarga/dilatação de VD e hipertensão pulmonar aguda, não LVH e dilatação da aorta. O curso aqui é crônico e incompatível com TEP.

D) Hipertensão pulmonar primária: Em geral cursa com P2 hiperfonético, dilatação/hipertrofia de VD e aumento de pressões pulmonares no eco, o que não foi relatado. Em congênitos, a HAP costuma ser secundária a shunts não corrigidos ou tardios, o que não é o caso.

E) Reaparição da CIV: Recorrência/resíduo teria comunicação detectável ao Doppler e sopro holossistólico paraesternal, não tipicamente apical. O eco não mostrou shunt residual, mas destacou aorta ascendente dilatada.

Estratégia de prova: Em cardiopatias congênitas corrigidas, busque “complicações de trajetória” do defeito: na CIV, pense em aortopatia e IAo. Valorize o achado de imagem-chave (aorta dilatada) acima de pistas auscultatórias ambíguas.

Conduta prática (resumo): Seguimento periódico com eco/TC-RM da aorta; controle de PA (betabloqueador/IECA/BRAs quando indicados); considerar cirurgia da aorta/valvar se IAo importante sintomática ou critérios de diâmetro/funcionais forem atingidos (ACC/AHA 2022; ESC 2021).

Referências: AHA/ACC 2018 Adult Congenital; ESC 2020 ACHD; ACC/AHA 2022 Aortic Disease; ESC 2021 Valvular; UpToDate; Harrison’s.

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