Paciente com possibilidade de ser portador de pneumotórax (a...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: diagnóstico radiográfico do pneumotórax. Em radiologia, o ar na cavidade pleural desloca-se para a região não dependente (mais alta) por gravidade. Em radiografias com raios horizontais (feixe paralelo ao chão), o posicionamento em decúbito lateral é crucial para maximizar a detecção.
Alternativa correta: D – decúbito lateral esquerdo. Suspeitando-se de pneumotórax à direita, posiciona-se o paciente em decúbito lateral esquerdo para deixar o hemitórax direito para cima (não dependente). Assim, o ar do pneumotórax sobe e se acumula superiormente, destacando-se como área hiperlúcida com linha pleural visceral nítida, aumentando a sensibilidade do exame. Este é o princípio técnico recomendado em manuais clássicos (Felson’s Principles of Chest Roentgenology) e é consistente com a lógica de decúbito lateral para coleção aérea (ACR Appropriateness Criteria; UpToDate).
Por que as demais estão incorretas?
A) Dorsal (supino): em supino, o ar tende a se acumular nas regiões anteromediais e subpulmônicas, reduzindo a sensibilidade; sinais são sutis (p. ex., deep sulcus sign). Não é o posicionamento de escolha para confirmar pequenos pneumotórax com feixe horizontal.
B) Ventral (prono): raramente indicado para pneumotórax; distribuição do ar torna-se pouco previsível e dificulta a interpretação. Não é técnica padrão.
C) Lateral direito: coloca o hemitórax direito para baixo (dependente). O ar do pneumotórax desloca-se para a porção superior/anterior, longe da parede lateral do lado direito, diminuindo a chance de visualizar a separação pulmão–parede torácica. Reduz a sensibilidade.
E) Dorsal em Trendelenburg: posição cefalocaudal invertida não favorece a detecção; pode deslocar o ar para regiões anteriores/mediastinais e complicar a leitura. Não é recomendada para diagnóstico de pneumotórax.
Como interpretar rapidamente na prova: identifique as palavras-chave “pneumotórax à direita” + “raios horizontais” + “decúbito”. Regra prática: pneumotórax: lado suspeito para cima (decúbito contralateral); derrame pleural: lado suspeito para baixo.
Avaliação clínica e exames: dor torácica pleurítica, dispneia, hipersonoridade e diminuição do murmúrio vesicular sugerem pneumotórax. Radiografia em PA ereta é preferível quando possível; se não, utilize decúbito lateral com feixe horizontal. Ultrassom (ausência do lung sliding, sinal do código de barras) é mais sensível no leito; TC é o padrão-ouro em casos duvidosos (UpToDate; BTS/ACR).
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
Vamos pensar juntos:
Quando há suspeita de pneumotórax, o objetivo é visualizar o ar livre na cavidade pleural. Para isso, a radiografia deve ser feita com raios horizontais e o paciente em decúbito lateral contralateral ao lado suspeito.
No caso descrito (pneumotórax à direita), o paciente deve ficar em decúbito lateral esquerdo. Assim, o lado direito fica voltado para cima, permitindo que o ar se acumule e seja melhor identificado na radiografia.
- A (dorsal): não é o ideal, pois o ar tende a se acumular na região anterior e pode passar despercebido.
- B (ventral): também não é o exame de escolha.
- C (lateral direito): errado, porque o lado acometido ficaria para baixo, dificultando a visualização do ar.
- D (lateral esquerdo): correto, pois o lado suspeito (direito) fica para cima.
- E (dorsal em Trendelenburg): não tem indicação para pneumotórax.
Portanto, a alternativa correta é D – lateral esquerdo.
Macetinn
“Líquido desce → lado afetado embaixo → derrame pleural”
“Ar sobe → lado afetado em cima → pneumotórax”
Dado isso,
Dale para não tomale.
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo