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Q4233232 Criminologia
 Considerando os objetos de estudo da criminologia, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A alternativa C é a correta porque, no desenvolvimento histórico da criminologia, a vítima passa a receber tratamento sistemático como objeto de estudo criminológico, ao passo que as demais alternativas atribuem à criminologia conceitos próprios de outras correntes ou invertem traços característicos da Escola Clássica, do positivismo, do marxismo e da posição processual da vítima no sistema inquisitivo.

Tema central: Objeto da criminologia
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque iguala dois conceitos que a base distingue expressamente. No direito penal, delito é categoria normativa; na criminologia, delito é fenômeno humano e social problemático, estudado empiricamente. O erro é de distinção conceitual.
B
Errada
Está errada porque atribui ao positivismo uma concepção que pertence à matriz clássica. A ideia de criminoso como pecador que escolhe o mal, podendo e devendo respeitar a lei, está ligada ao livre-arbítrio e à responsabilidade moral da Escola Clássica, não ao positivismo criminológico, que enfatiza determinismos biológicos, psíquicos e sociais.
C
Certa
A alternativa C está correta porque corresponde à compreensão doutrinária de que a vítima só adquire abordagem sistemática no âmbito da criminologia, especialmente com a vitimologia, sem depender de previsão normativa específica.
D
Errada
Está errada porque inverte o efeito do modelo inquisitivo sobre a posição da vítima. No processo inquisitivo, o conflito penal é apropriado pelo poder público, com centralização estatal da persecução, o que reduz — e não amplia — o protagonismo da vítima.
E
Errada
Está errada porque descreve o criminoso segundo traços do positivismo etiológico, não do marxismo. A noção de ser inferior, deficiente e necessitado de intervenção tutelar do Estado corresponde à leitura determinista do positivismo; a criminologia marxista, conforme a base, dirige-se à crítica da seletividade penal e das estruturas de dominação social.
Pegadinha da questão
A banca trocou características entre correntes criminológicas e ainda explorou uma intuição falsa sobre a vítima: associou ao positivismo o que é da Escola Clássica, ao marxismo o que é do positivismo e ao processo inquisitivo um protagonismo da vítima que, na verdade, ele reduz.
Dica para questões semelhantes
  • Separe sempre delito na dogmática penal e delito na criminologia: um é categoria normativa, o outro é fenômeno empírico-social.
  • Memorize a distinção mínima entre correntes: Escola Clássica = livre-arbítrio e responsabilidade moral; positivismo = determinismos; marxismo = crítica da seletividade e da dominação social.
  • Quando a alternativa tratar da vítima, verifique se fala em sistematização criminológica da vitimologia, não em protagonismo histórico constante da vítima no processo penal.

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LETRA C

A afirmação explica-se pelo fato de que, historicamente, a vítima foi esquecida pelas ciências criminais tradicionais, passando a ser estudada de forma científica, organizada e metodológica (sistemática) apenas quando a Criminologia se consolidou e expandiu os seus objetos de estudo.

o processo é dividido em três fases e fatores fundamentais:

1. O Histórico "Esquecimento da Vítima" (Neutralização)

Durante séculos, após o fim do período da vingança privada (onde a própria vítima punia o agressor), o Direito Penal assumiu o monopólio da punição. Com isso, o foco passou a ser bilateral: o Estado de um lado e o criminoso do outro. A vítima foi rebaixada a uma mera peça de prova (uma testemunha do próprio sofrimento), ocorrendo o que a doutrina chama de "neutralização" ou "total esquecimento da vítima"

2. O Limite do Direito Penal Tradicional

O Direito Penal foca na aplicação da lei, na tipicidade da conduta e na imposição da pena ao autor do delito. Ele opera por dogmas abstratos e não possui ferramentas científicas para analisar o comportamento humano ou o impacto social do crime no indivíduo. Por essa razão, o Direito Penal sozinho não conseguia dar um tratamento estruturado para a figura do ofendido

3. A Criminologia e o "Contorno Sistemático"

A Criminologia surge como uma ciência empírica e interdisciplinar (que utiliza a sociologia, a psicologia e a antropologia). Com a sua evolução — especialmente no período pós-Segunda Guerra Mundial —, ela percebeu que era impossível explicar o fenômeno do crime analisando apenas o delinquente

Por que a abordagem se tornou "Sistemática"?

Tornou-se sistemática porque deixou de ser uma preocupação isolada ou assistencialista e passou a fazer parte de um sistema científico de análise. Foi através da Criminologia (e do nascimento da Vitimologia) que se começou a mapear de forma metódica:

As Classificações Vitimais: Análise de como a vulnerabilidade ou o comportamento de uma pessoa podem influenciar a dinâmica do crime (como os estudos pioneiros de Benjamin Mendelsohn).

Os Processos de Vitimização: A divisão científica do sofrimento em Primário (o dano gerado pelo crime), Secundário (o sofrimento gerado pelo descaso do próprio aparelho estatal e das delegacias) e Terciário (o estigma social sofrido pela comunidade).

Políticas Públicas e Prevenção: A criação de mecanismos reais de amparo, assistência psicológica e reparação de danos, devolvendo dignidade a quem sofreu a infração penal.

● A (Incorreta): O conceito de delito para a Criminologia é empírico, plural e social (visto como um problema comunitário), diferindo do conceito formal e normativo (fato típico e antijurídico) adotado pelo Direito Penal.

● B (Incorreta): A visão de que o criminoso é um "pecador que optou pelo mal com base no livre-arbítrio" pertence à Escola Clássica, e não ao Positivismo (que via o delinquente sob a ótica do determinismo biológico ou social).

● C (Correta): A figura da vítima foi esquecida por um longo período histórico pelas ciências criminais tradicionais, passando a ter um estudo sistemático e autônomo (a Vitimologia) dentro do horizonte da Criminologia moderna.

● D (Incorreta): No processo penal inquisitivo, a vítima tem papel secundário; o protagonismo fica concentrado nas mãos do inquisidor/juiz. A fase de protagonismo da vítima ocorreu historicamente na vingança privada ou em sistemas acusatórios primitivos.

● E (Incorreta): A descrição de um ser inferior e deficiente cuja vontade requer tutela do Estado refere-se a visões da Escola Correcionalista, e não à perspectiva marxista (que enxerga o crime ligado a conflitos estruturais de classes e ao sistema econômico).

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