Considerando os objetos de estudo da criminologia, assinale...
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: A alternativa C é a correta porque, no desenvolvimento histórico da criminologia, a vítima passa a receber tratamento sistemático como objeto de estudo criminológico, ao passo que as demais alternativas atribuem à criminologia conceitos próprios de outras correntes ou invertem traços característicos da Escola Clássica, do positivismo, do marxismo e da posição processual da vítima no sistema inquisitivo.
- Separe sempre delito na dogmática penal e delito na criminologia: um é categoria normativa, o outro é fenômeno empírico-social.
- Memorize a distinção mínima entre correntes: Escola Clássica = livre-arbítrio e responsabilidade moral; positivismo = determinismos; marxismo = crítica da seletividade e da dominação social.
- Quando a alternativa tratar da vítima, verifique se fala em sistematização criminológica da vitimologia, não em protagonismo histórico constante da vítima no processo penal.
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LETRA C
A afirmação explica-se pelo fato de que, historicamente, a vítima foi esquecida pelas ciências criminais tradicionais, passando a ser estudada de forma científica, organizada e metodológica (sistemática) apenas quando a Criminologia se consolidou e expandiu os seus objetos de estudo.
o processo é dividido em três fases e fatores fundamentais:
1. O Histórico "Esquecimento da Vítima" (Neutralização)
Durante séculos, após o fim do período da vingança privada (onde a própria vítima punia o agressor), o Direito Penal assumiu o monopólio da punição. Com isso, o foco passou a ser bilateral: o Estado de um lado e o criminoso do outro. A vítima foi rebaixada a uma mera peça de prova (uma testemunha do próprio sofrimento), ocorrendo o que a doutrina chama de "neutralização" ou "total esquecimento da vítima"
2. O Limite do Direito Penal Tradicional
O Direito Penal foca na aplicação da lei, na tipicidade da conduta e na imposição da pena ao autor do delito. Ele opera por dogmas abstratos e não possui ferramentas científicas para analisar o comportamento humano ou o impacto social do crime no indivíduo. Por essa razão, o Direito Penal sozinho não conseguia dar um tratamento estruturado para a figura do ofendido
3. A Criminologia e o "Contorno Sistemático"
A Criminologia surge como uma ciência empírica e interdisciplinar (que utiliza a sociologia, a psicologia e a antropologia). Com a sua evolução — especialmente no período pós-Segunda Guerra Mundial —, ela percebeu que era impossível explicar o fenômeno do crime analisando apenas o delinquente
Por que a abordagem se tornou "Sistemática"?
Tornou-se sistemática porque deixou de ser uma preocupação isolada ou assistencialista e passou a fazer parte de um sistema científico de análise. Foi através da Criminologia (e do nascimento da Vitimologia) que se começou a mapear de forma metódica:
As Classificações Vitimais: Análise de como a vulnerabilidade ou o comportamento de uma pessoa podem influenciar a dinâmica do crime (como os estudos pioneiros de Benjamin Mendelsohn).
Os Processos de Vitimização: A divisão científica do sofrimento em Primário (o dano gerado pelo crime), Secundário (o sofrimento gerado pelo descaso do próprio aparelho estatal e das delegacias) e Terciário (o estigma social sofrido pela comunidade).
Políticas Públicas e Prevenção: A criação de mecanismos reais de amparo, assistência psicológica e reparação de danos, devolvendo dignidade a quem sofreu a infração penal.
● A (Incorreta): O conceito de delito para a Criminologia é empírico, plural e social (visto como um problema comunitário), diferindo do conceito formal e normativo (fato típico e antijurídico) adotado pelo Direito Penal.
● B (Incorreta): A visão de que o criminoso é um "pecador que optou pelo mal com base no livre-arbítrio" pertence à Escola Clássica, e não ao Positivismo (que via o delinquente sob a ótica do determinismo biológico ou social).
● C (Correta): A figura da vítima foi esquecida por um longo período histórico pelas ciências criminais tradicionais, passando a ter um estudo sistemático e autônomo (a Vitimologia) dentro do horizonte da Criminologia moderna.
● D (Incorreta): No processo penal inquisitivo, a vítima tem papel secundário; o protagonismo fica concentrado nas mãos do inquisidor/juiz. A fase de protagonismo da vítima ocorreu historicamente na vingança privada ou em sistemas acusatórios primitivos.
● E (Incorreta): A descrição de um ser inferior e deficiente cuja vontade requer tutela do Estado refere-se a visões da Escola Correcionalista, e não à perspectiva marxista (que enxerga o crime ligado a conflitos estruturais de classes e ao sistema econômico).
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