Se João foi atendido imediatamente, então ele tinha dores f...
Em uma sala de espera, se um paciente tem prioridade, ele recebe uma pulseira amarela, se um paciente tem dores fortes, ele recebe uma pulseira vermelha, se um paciente não está chorando, então ele não tem dores fortes e, se um paciente recebe pulseiras vermelha e amarela, ele é atendido imediatamente.
Com base nesse caso hipotético, julgue os itens seguintes.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (errado)
Tema central: Lógica proposicional, com ênfase em implicações do tipo “se... então...”, suas conversas e contrapartidas. Embora o cenário lembre triagem clínica, o que está em jogo é a validade lógica, não um protocolo médico.
Tradução simbólica das regras:
- Prioridade → pulseira amarela: P → A
- Dores fortes → pulseira vermelha: D → V
- Não chorando → não tem dores fortes: ¬C → ¬D (equivalente a D → C)
- Vermelha e amarela → atendimento imediato: (V ∧ A) → I
Afirmação julgada: “I → D” (Se foi atendido imediatamente, então tinha dores fortes).
Por que é errado: Das premissas, só sabemos que se recebeu vermelha e amarela, então foi atendido imediatamente ((V ∧ A) → I). Não há nenhuma regra que permita voltar de I para V ∧ A, nem de V para D. Tentar concluir “I → D” com base em (V ∧ A) → I comete duas falácias clássicas: conversão da implicação (tomar I → V ∧ A a partir de (V ∧ A) → I) e afirmação do consequente (querer D a partir de V sabendo apenas D → V).
Contraexemplo (estratégia decisiva): É possível que João tenha sido atendido imediatamente por algum outro motivo não especificado nas regras (por exemplo, outro critério institucional). Assim, I é verdadeiro e D pode ser falso, sem violar nenhuma premissa. Logo, “I → D” não é logicamente necessária.
Análise das alternativas:
- C – certo: Incorreta. Pressupõe que atendimento imediato implica dores fortes, o que não é garantido pelas regras. Não há implicação de I para D, nem equivalência entre I e (V ∧ A).
- E – errado: Correta. A conclusão “Se foi atendido imediatamente, então tinha dores fortes” não decorre logicamente das premissas; um único contraexemplo possível já invalida a implicação.
Dicas de prova (pegadinhas):
- Não confunda “se... então...” (implicação) com “se e somente se” (equivalência).
- Use a contrapositiva: de p → q, só é logicamente equivalente ¬q → ¬p. A conversa (q → p) não é válida em geral.
- Procure contraexemplos para testar se uma conclusão é necessária: basta um cenário possível que respeite as premissas e desminta a conclusão.
Observação: Em protocolos reais de triagem (ex.: Manchester), as cores têm significados clínicos específicos, mas aqui elas funcionam apenas como proposições lógicas, sem vínculos clínicos adicionais.
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