Paciente jovem do sexo masculino apresenta quadro de cefal...

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Ano: 2012 Banca: UFPB Órgão: UFPB Prova: UFPB - 2012 - UFPB - Médico - Infectologista |
Q378140 Medicina
Paciente jovem do sexo masculino apresenta quadro de cefaleia intensa há 14 dias, febre baixa e turvação visual. Refere contato frequente com pombos e não há causa associada de imunossupressão. Realizou TC de crânio que evidenciou dilatação ventricular e LCR com predomínio linfomonocitário, proteína elevada, glicose baixa e presença de estruturas leveduriformes. Tinta da china positiva e cultura posteriormente positiva com crescimento de cryptococcus neoformans. Sobre esse caso, julgue as assertivas abaixo:

As equinocandinas representam potencial alternativo ao tratamento da neurocriptococose.
Alternativas

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Tema central: O caso aborda neurocriptococose, infecção fúngica do SNC causada por Cryptococcus neoformans. Seu reconhecimento é fundamental para médicos infectologistas, dada a gravidade e complexidade terapêutica.

Diagnóstico na prática: O diagnóstico clínico e laboratorial foi bem característico: sintomas centrais (cefaleia, turvação visual persistente), história epidemiológica (contato com pombos, reservatório clássico), achados de LCR (pleocitose linfomonocitária, proteína alta, glicose baixa) e confirmação por tinta da china (visualização de leveduras encapsuladas) com cultura positiva.

Análise da alternativa:

“As equinocandinas representam potencial alternativo ao tratamento da neurocriptococose.”

Alternativa: Errado (E)

Justificativa: As equinocandinas (caspofungina, micafungina, anidulafungina) são antifúngicos que inibem a síntese de β-glucano na parede celular fúngica. Cryptococcus neoformans, no entanto, possui níveis baixos de β-glucano, tornando-se naturalmente resistente a essa classe. Diversas diretrizes, incluindo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde e o UpToDate, reforçam que as equinocandinas não têm papel no tratamento da neurocriptococose.

O tratamento de escolha para neurocriptococose é:

  • Indução: Anfotericina B (deoxicolato ou lipossomal) + flucitosina, por 2 semanas.
  • Consolidação e manutenção: fluconazol por várias semanas.

Como destacado no Harrison's Principles of Internal Medicine, 20ª Ed., p.3484: “As equinocandinas não possuem atividade significativa contra Cryptococcus e não são recomendadas.”

Estratégia para provas: Ao deparar-se com alternativas sobre terapias antifúngicas, é fundamental associar o mecanismo de ação à estrutura do patógeno e buscar respaldo nas principais diretrizes. Pegadinhas frequentes incluem sugerir uso de classes eficazes para outros fungos (como Candida), mas não para Cryptococcus.

Resumo dos principais pontos:

  • Equinocandinas não atuam na neurocriptococose.
  • Não há indicação nem como esquema de resgate.
  • Anfotericina B e flucitosina seguem como padrão ouro.

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Comentários

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errado

5-flucitosna para infecções generalizadas, fluconazol e itraconazol para infecções cutâneas.

 

Terapeutica veterinária: Anfotericina B, fluocistosina, cetoconazol, itraconazol, fluconazol, isoladamente ou em associações.

Gabarito: Errado.

Os níveis farmacológicos no líquido cerebrospinal não são significativos. Portanto, as equinocandinas NÃO representam potencial alternativo ao tratamento da neurocriptococose.

Bons estudos!

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