Leia os textos a seguir:1.“Excelente escravo. Vende-se um cr...
Leia os textos a seguir:
1.“Excelente escravo. Vende-se um crioulo de 22 anos, sem vício e muito fiel: bom e asseado cozinheiro, copeiro. Faz todo o serviço de arranjo da casa com presteza, e é melhor trabalhador de roça que se pode desejar; humilde, obediente e bonita figura. Para tratar na ladeira de S. Francisco n. 4”. Província de São Paulo, S. P. 19 fev. 1878. Apud NEVES, M. de F.R.das. Documentos sobre a escravidão no Brasil. São Paulo: Contexto, 1996. (Textos e documentos; v.6).
2.“Identificavam, naturalmente, trabalho com escravidão
e liberdade com ódio. [...]. Em Goiás a situação era a
mesma. [..]. A primeira distinção fundamental na
sociedade era a cor”.
PALACIN, L. e MORAES, Maria A. de Santanna.História de Goiás (1722 – 1972). 6ª Ed. Goiânia: Editora da UCG, 1994.
Após ler os textos e com base nos seus conhecimentos
pode-se afirmar que a vida dos escravos no Brasil e em
Goiás possuía as seguintes características, EXCETO:
Gabarito comentado
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Para responder a questão corretamente, é importante entender o contexto histórico da escravidão no Brasil, com ênfase nas atividades econômicas nas quais os escravos estavam envolvidos.
Tema central da questão: A questão aborda a vida dos escravos no Brasil, especialmente em Goiás, e busca identificar características comuns e uma exceção nas suas condições de vida e trabalho.
Resumo teórico: Durante o período colonial e imperial no Brasil, a escravidão foi um pilar da economia, com os escravos sendo destinados principalmente para o trabalho em plantações, atividades mineradoras e, em algumas regiões, para a pecuária. Goiás, em particular, é historicamente conhecido por sua participação na mineração, especialmente durante o ciclo do ouro, mais do que pela pecuária.
Gabarito comentado:
Alternativa C - Força de trabalho voltada principalmente para a pecuária: Esta é a alternativa correta, pois representa a exceção. Embora a pecuária existisse, a principal atividade dos escravos em Goiás estava relacionada à mineração, sobretudo no ciclo do ouro, que foi uma das principais atividades econômicas da região.
Análise das alternativas incorretas:
Alternativa A - Trabalho árduo e pouca alimentação: Esta era uma realidade comum entre os escravos, que trabalhavam em condições extremas e frequentemente não recebiam alimentação suficiente.
Alternativa B - Graves doenças (reumatismo, verminoses...): As condições de vida e trabalho precárias propiciavam o surgimento de diversas doenças entre os escravos, tornando essa alternativa correta em relação à realidade histórica.
Alternativa D - Falta de liberdade (arbitrariedades e castigos): A escravidão, por definição, implicava a privação total de liberdade, e os escravos eram frequentemente sujeitos a abusos e punições severas.
Alternativa E - Atividade mineradora como principal ocupação: A mineração foi, de fato, uma das principais ocupações dos escravos em Goiás, especialmente durante o auge do ciclo do ouro. Portanto, essa não é a exceção.
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Comentários
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ESCRAVOS EM GOIÁS, SE REMETE A MINERAÇÃO!
Analisando a questão... parece que a última é verdadeira... mas o anúncio é do século 19 e já não havia mais ouro nessa época em Goiás, fora que a pecuária dispensa mão de obra escrava, os criadores partilhavam parte da produção.
letra C
Hoje com toda a luta por questões sociais e suas importantes conquistas na busca por igualdade de gênero e igualdade racial é doloroso pensar na vida extraordinariamente dura dos escravos que ajudaram a construir a história de Goiás. Os primeiros registros sobre a população de Goiás são de 1736, dez anos após o início do ciclo do ouro.
Havia mais de 10 mil escravos adultos que representavam mais de 50% da população, atraída para o Estado pelo brilho do ouro. No total, cerca de 20 mil pessoas entre escravos e homens livres foram os desbravadores de Goiás: abriram caminhos, fundaram cidades, colocando em atividade grande parte do território goiano.
Os escravos enfrentavam todos os males do garimpo: trabalho esgotador, má alimentação (quase que exclusivamente de milho), graves doenças:reumatismo pelo contínuo trabalho com os pés na água, problemas de coluna e rins pelo trabalho curvado sob o sol nas costas, além dos males da falta de liberdade: arbitrariedades e castigos, uma vez que eram considerados mais como coisas que como pessoas. A média de vida nestas condições era de sete anos e nenhum senhor esperava conseguir mais que 12 anos de trabalho dos escravos que comprava.
Nos anos de intensa exploração do ouro a população chegou a 60 mil pessoas em Goiás. A partir de 1804 com a decadência da mineração houve queda na população. Não se importavam mais escravos para suprir as mortes, muitos brancos e livres emigraram para outros territórios. A partir desta data, começa de novo uma tendência ascensional da população. Parte pelo crescimento vegetativo e parte também pela migração pequena, mas constante, dos que vinham dedicar-se à criação e gado nos grandes espaços vazios de Goiás. (Informações retiradas do livro História de Goiás (1722-1972) de Luís Palacín e Maria Augusta de Sant'Anna Moraes.)
Gabarito: C
Comentário:
As alternativas A,B, D e E estão corretas, pois o período minerador em Goiás teve uma duração extremamente curta, com seu início registrado em 1726, atingindo seu ponto máximo já na década de 1750 e entrando, a partir daí, em um rápido processo de esgotamento, sendo marcado pelo trabalho escravo de índios e negros, visto que a mão-de-obra escrava era mais barata e de fácil aquisição.
Devido ao excesso de carga de trabalho e os maus tratos resistiam, em média, apenas 7 anos de labor. Seus senhores queriam somente o lucro do seu trabalho, que servia para a aquisição de mais negros, aumentando a produção, como se pode observar no seguinte trecho:
“A opressão fazia parte do sistema escravocrata, e o lucro era a preocupação das empresas. Extrair do preto o maior esforço possível, com o mínimo de dispêndio, eis o interesse dos proprietários.” (SALLES, 1992, p. 286)
Já a alternativa C está INCORRETA, em razão de ser proibida qualquer outra atividade econômica em região mineradora que desviasse a mão de obra escrava da exploração de metal, pois, além do pouco interesse demonstrado pela população mineradora em relação a agropecuária, havia ainda a atuação governamental que, preocupada com a produção mineral e com a arrecadação do quinto, procurava inibir qualquer tentativa de desenvolvimento de outra atividade econômica que não fosse a mineração e que desviasse daí a força de trabalho necessária a sua plena produção.
A Letra "C" é a resposta pois a força de trabalho voltada principalmente para a pecuária se dava com a contratação de VAQUEIROS e não ESCRAVOS.
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