Idosa, 71 anos, 38 Kg, em síndrome consumptiva, emagrecida, ...

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Q2427776 Medicina

Idosa, 71 anos, 38 Kg, em síndrome consumptiva, emagrecida, desproteinizada (redução de albumina e proteínas totais), diagnosticada com Ca gástrico, será submetida à cirurgia de gastrectomia total por via convencional. O anestesista assistente opta por realizar peridural "single-shot" analgésica associada à anestesia geral venosa. Dentre os anestésicos locais, assinale o que possui maior potencial de toxicidade neste perfil de paciente.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Toxicidade dos anestésicos locais em pacientes idosos, desnutridos e hipoalbuminêmicos.

Justificativa da alternativa correta (A – Ropivacaína):

Neste cenário clínico, temos uma paciente idosa, desproteinizada e hipoalbuminêmica. De acordo com a farmacologia anestésica, os anestésicos locais do tipo amida (como a ropivacaína) apresentam alta ligação às proteínas plasmáticas, principalmente à alfa-1-glicoproteína ácida e à albumina. Quando os níveis dessas proteínas estão reduzidos, como no caso apresentado, a fração livre da droga circulante aumenta, elevando o potencial de toxicidade sistêmica. A ropivacaína, embora menos cardiotóxica que a bupivacaína, é bastante lipossolúvel – uma característica associada ao aumento de passagem para o sistema nervoso central e coração, principalmente quando a fração livre está elevada. Referente ao artigo da RMMG, “a ligação proteica reduzida nos quadros de hipoalbuminemia potencializa a toxicidade dos anestésicos locais mais lipossolúveis”.

Análise das alternativas incorretas:

B) Procaína: Anestésico tipo éster, menos lipossolúvel, com metabolismo plasmático rápido (pseudocolinesterase). Menor potencial tóxico sistêmico, especialmente em hipoalbuminemia.

C) Lidocaína: Amida, porém com menor lipossolubilidade e toxicidade do que ropivacaína; potencialmente tóxica, porém menos preocupante nesse contexto específico.

D) Prilocaína: Também amida, porém menos lipossolúvel e com menor risco de toxicidade sistêmica comparada à ropivacaína. Principal complicação: meta-hemoglobinemia em doses elevadas.

E) Mepivacaína: Perfil semelhante à lidocaína, menos lipossolúvel que a ropivacaína; toxicidade mais baixa neste perfil de paciente.

Dica de prova: Identifique o anestésico com alta ligação proteica e alta lipossolubilidade diante de desnutrição e hipoalbuminemia — nesses casos, o risco de toxicidade aumenta significativamente!

Resumo das evidências: Como explicitado em Brunton – Goodman & Gilman’s Pharmacological Basis of Therapeutics e protocolos clínicos, a diminuição da proteína plasmática aumenta a fração livre dos anestésicos locais, elevando o risco de efeitos adversos, especialmente para drogas altamente lipofílicas e ligadas à proteína, como a ropivacaína.

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