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Q3508036 Biomedicina - Análises Clínicas
O desenvolvimento de tecnologias de genética reversa revolucionou o estudo dos vírus de RNA, como o vírus influenza, permitindo a manipulação controlada de seu genoma por meio de clones de DNA. Essa abordagem tem sido amplamente utilizada na produção racional de vacinas, no estudo da patogenicidade de variantes virais e na triagem de novos antivirais. No caso do vírus influenza, essa tecnologia é particularmente desafiadora devido à segmentação do genoma e à sua natureza de RNA de fita simples de polaridade negativa.

Com base nesses aspectos, assinale a alternativa correta sobre o sistema de genética reversa para o vírus influenza.
Alternativas

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Tema central: Genética reversa do vírus influenza (RNA de fita simples, negativo e segmentado) e como sistemas baseados em DNA permitem “resgatar” vírus a partir de clones complementares, combinando a expressão de RNAs genômicos e proteínas virais.

Alternativa correta: E
Justificativa: No sistema clássico (8 ou 12 plasmídeos), cada segmento do genoma do influenza é transcrito no núcleo como RNA genômico negativo (vRNA-like) a partir de um promotor da RNA polimerase I (Pol I), gerando transcritos sem cap e sem poli(A) e com extremidades precisas, adequados para montagem das ribonucleoproteínas virais (RNPs). Paralelamente, os genes das proteínas virais essenciais (PB2, PB1, PA e NP, entre outros) são expressos como mRNAs por promotores de RNA polimerase II (Pol II). A coexpressão de vRNAs (Pol I) e das proteínas (Pol II) permite que o complexo polimerásico viral replique/transcreva o genoma e gere vírus infecciosos. Referência clássica: Neumann et al., PNAS 1999; Fields Virology; UpToDate (Biology of influenza).

Análise das alternativas incorretas

  • A – “Genoma viral é infeccioso por si só.” Falso para vírus de RNA negativo. Diferente de muitos vírus de RNA positivo, o RNA negativo não é traduzido diretamente; precisa estar associado ao complexo polimerásico (PB1/PB2/PA) e NP em forma de RNP para iniciar o ciclo. Logo, a simples transfecção de vRNA não resgata vírus.
  • B – “Replicação iniciada no citoplasma após transcrição por Pol II.” Equívoco duplo: (1) O influenza é um dos poucos vírus de RNA que replica no núcleo; (2) a Pol II transcreve DNA em mRNA e não replica RNA viral. Na genética reversa, Pol II é usada para mRNAs das proteínas virais, não para iniciar replicação no citoplasma.
  • C – “Promotores T7 porque atuam eficientemente no núcleo.” A T7 RNA polimerase é bacteriofágica, não nuclear nativa. Sistemas com T7 exigem expressão exógena (p.ex., via vaccinia-T7) e não são o padrão para influenza. O sistema consagrado usa Pol I/Pol II no núcleo por maior fidelidade das extremidades e eficiência.
  • D – “Pol I é inviável pela localização citoplasmática da replicação.” Inversão conceitual. O influenza replica no núcleo, o que favorece o uso de promotores de Pol I (nucleares) para gerar vRNA-like com terminações corretas, compatíveis com a montagem das RNPs.

Estratégias para a prova

  • Associe: Influenza = RNA(-) segmentado, núcleo (replicação e transcrição), Pol I → vRNA, Pol II → mRNA.
  • Pegadinha clássica: “RNA genômico é infeccioso por si só” só vale, em geral, para RNA positivo, não para influenza.
  • Desconfie de “T7 no núcleo” como solução padrão para eucariotos; lembre do sistema Pol I/Pol II (pHW2000, Neumann/Kawaoka).

Fontes essenciais: Fields Virology, 7ª ed.; UpToDate – Biology of influenza; Neumann G. et al. Generation of influenza A viruses entirely from cloned cDNAs. PNAS, 1999.

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