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Q3508014 Biomedicina - Análises Clínicas
Entre as semanas epidemiológicas 1 e 15 de 2025, foram confirmados 189 casos de febre amarela em humanos nas Américas, com 74 óbitos. No Brasil, foram notificados 102 casos (41 óbitos), principalmente nos estados de São Paulo, Pará, Minas Gerais e Tocantins. A maioria dos casos ocorreu em homens não vacinados com histórico de exposição a áreas silvestres, e os casos foram confirmados laboratorialmente. Destaca-se que, diferentemente de 2024, quando os casos se concentraram na Amazônia, em 2025 foram registrados também em áreas fora dessa região, como São Paulo.

Considerando os desafios para confirmação sorológica de casos humanos de febre amarela no Brasil, em 2025, especialmente em áreas com vacinação ativa e co-circulação de flavivírus, assinale a alternativa que apresenta a abordagem laboratorial mais recomendada para confirmar infecção recente por vírus da febre amarela.
Alternativas

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Tema central: Confirmação laboratorial de febre amarela em cenário com vacinação ativa e co-circulação de flavivírus (dengue, zika), onde há reatividade cruzada sorológica. Nessas situações, a confirmação exige teste com alta especificidade.

Alternativa correta: DPRNT com painel de múltiplos flavivírus. O Plaque Reduction Neutralization Test é o padrão-ouro para confirmar infecção recente por vírus da febre amarela (YFV) quando há IgM positiva ou dúvida diagnóstica, pois mede anticorpos neutralizantes específicos e ajuda a discriminar YFV de dengue, zika, etc. Em indivíduos vacinados, o PRNT, preferencialmente com painel (YFV, DENV 1-4, ZIKV, WNV, SLEV) e, se possível, amostras pareadas (soroconversão ou aumento ≥4 vezes do título), aumenta a acurácia para distinguir infecção natural de resposta vacinal. Recomendado por OMS/OPAS e Ministério da Saúde como teste confirmatório em áreas com co-circulação e alta cobertura vacinal.

Estratégia laboratorial (janela temporal):
- 0–5(7) dias: RT-PCR/NAAT em soro/sangue total (e urina até ~10 dias). Alta sensibilidade na viremia inicial.
- ≥5 dias: IgM (MAC-ELISA). Em cenário de vacinação/flavivírus, confirmar com PRNT.
- Casos graves/fatais: RT-PCR e imuno-histoquímica hepática em tecido, independentemente da IgM.

Por que as outras estão incorretas?

A) “Só IgM por MAC-ELISA”. Inadequado: IgM tem reatividade cruzada significativa entre flavivírus e pode positivar após vacinação. Diretrizes recomendam PRNT confirmatório em áreas de co-circulação (OMS/OPAS; MS).

B) “PCR após o 10º dia no soro”. A viremia do YFV é curta; após o 7º–10º dia, a sensibilidade em soro cai muito. Melhor usar PCR precoce (até 5–7 dias) ou em tecidos/urina quando indicado. Não é a abordagem mais recomendada para confirmar casos tardios.

C) “IHQ hepática apenas se IgM negativo��. A IHQ é útil especialmente em casos graves/fatais, podendo ser feita independentemente do IgM. Restrição “apenas se IgM negativo” é indevida e pode atrasar o diagnóstico.

E) “Testes rápidos IgM/IgG e confirmar só por eles”. Não recomendado: menor acurácia e validação limitada; IgG pode refletir vacinação prévia. Exigem confirmação por PRNT ou NAAT conforme a fase clínica.

Dica de prova: identifique a janela de coleta e a co-circulação de flavivírus. Se houver vacinação e IgM positiva, pense em PRNT com painel como confirmatório.

Referências essenciais: OMS/OPAS – vigilância de febre amarela; Ministério da Saúde (Manual de Vigilância da Febre Amarela); UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine (arboviroses).

Mantenha o raciocínio: janela clínica → teste adequado → confirmação com PRNT em cenários de reatividade cruzada.

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