“(...) Lei de Diretrizes e Bases, PCNs e Diretrizes Curricu...
BARBOSA, Ana Mae (org.), Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.
Na perspectiva da autora, argumentos possíveis para sustentar a afirmação em itálico são:
I - As teorias, diretrizes e práticas envolvidas na educação não são necessariamente éticas e políticas, mas intrinsecamente técnicas.
II - O ensino escolar é complexo por ser estático e por serem dinâmicas as questões referentes ao ensino de Arte.
III - A complexidade do ensino escolar é estrutural dado que todas as áreas do currículo enfrentam a questão do estatuto problemático do conhecimento e de sua relação com a reação neoconservadora que definiu a recente agenda defensiva da política educativa.
IV - As orientações e propostas contidas nos PCNs são histórica e socialmente conservadoras, pedagogicamente megalômanas, e culturalmente demagógicas – porque descontextualizadas - fazem efeito, mas não levam a efeito aquilo que propõem.
Estão corretas as afirmações:
Gabarito comentado
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Alternativa correta: D – III e IV
1. Tema central da questão
Esta questão trata da efetividade das políticas e orientações oficiais na implementação do ensino de Arte nas escolas, com base em reflexões críticas de Ana Mae Barbosa. Avalia a capacidade do candidato em reconhecer limitações e desafios na aplicação dos PCNs e diretrizes curriculares.
2. Resumo teórico
Os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) e as reformas educacionais buscam orientar a prática docente e garantir o ensino de Arte como componente curricular obrigatório (Lei 9.394/96, LDB). Entretanto, autores como Ana Mae Barbosa apontam que tais documentos nem sempre se traduzem em ações concretas, pois esbarram em desafios estruturais, resistências políticas e inadequações culturais.
3. Justificativa da alternativa correta (D – III e IV)
III – Destaca que a complexidade do ensino escolar é estrutural, pois toda área curricular enfrenta a problemática de legitimação do conhecimento, ainda mais diante de políticas educacionais conservadoras. Isso está alinhado com críticas acadêmicas ao distanciamento entre políticas e realidades escolares.
IV – Afirma que as orientações dos PCNs são, muitas vezes, conservadoras, descontextualizadas e demagógicas. Ou seja, podem ter intenção de transformação, mas sua execução real é limitada, justamente porque não dialogam com as condições concretas da escola e da cultura local. Ana Mae Barbosa ressalta esse descompasso, reforçando a ideia de que muitas propostas “não saem do papel”.
4. Análise das alternativas incorretas
I – Está incorreta porque reduz o ensino a uma dimensão técnica, ignorando seus aspectos éticos e políticos, que são centrais na educação, especialmente em Arte.
II – Equivocada ao afirmar que o ensino é “estático”, pois a escola é, na verdade, um espaço de tensões e mudanças, sendo a Arte uma área dinâmica por excelência.
E – Inclui as alternativas II, III e IV, mas a II está errada, tornando a opção inválida.
A e B e C – Todas envolvem afirmações I ou II, ambas incorretas.
5. Estratégias para interpretação
Ao ler questões assim, busque distinguir críticas fundamentadas do senso comum ou de simplificações técnicas. Esteja atento a palavras-chave como “estrutural”, “demagógico” e “descontextualizadas”. Desconfie de opções que minimizam o papel político e ético da escola.
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