Paciente, 40 anos, chegou ao pronto-socorro com queixa de do...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3080074 Medicina
Paciente, 40 anos, chegou ao pronto-socorro com queixa de dor torácica aguda e intensa, que começou há dois dias. A dor era descrita como uma pontada constante, localizada no centro do peito, e piorava ao deitar-se ou ao respirar profundamente, mas aliviava ao sentar-se e inclinar-se para frente. A paciente relatou febre baixa, fadiga e uma sensação geral de mal-estar. Ao exame físico, ela apresentava-se afebril; porém, desconfortável devido à dor torácica. Sua pressão arterial e frequência cardíaca estavam dentro dos limites normais, mas a ausculta cardíaca revelou um atrito pericárdico, um som característico de fricção, auscultado no espaço intercostal esquerdo, na borda esternal. A ausculta pulmonar estava normal, sem sinais de congestão. Os exames laboratoriais iniciais indicaram elevação de marcadores inflamatórios, como a Proteína C-Reativa (PCR) e a Velocidade de Hemossedimentação (VHS), sugerindo um processo inflamatório. O eletrocardiograma (ECG) mostrou elevação difusa do segmento ST em múltiplas derivações, sem respeitar território anatômico. Qual a melhor conduta terapêutica para a paciente frente ao quadro?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: O caso clínico descreve pericardite aguda, uma inflamação do pericárdio, comum em consultórios e prontos-socorros. Atenção especial à dor precordial típica (piora ao deitar e respiração profunda, melhora ao sentar e inclinar-se) e ao atrio pericárdico à ausculta, sinais clássicos.

Achados diagnósticos fundamentais:

  • Dor torácica pleurítica, característica;
  • Elevação difusa do segmento ST no ECG sem padrão de território;
  • Atrito pericárdico;
  • Marcadores inflamatórios elevados (PCR e VHS);
  • Ausência de sinais de congestão ou tamponamento.
Segundo grandes referências como "Harrison's Principles of Internal Medicine" e diretrizes da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, para o diagnóstico de pericardite é necessário ao menos dois desses critérios principais.

Justificativa para a alternativa correta (D): Segundo as diretrizes atuais ("Doenças do Pericárdio", SPC, p. 24): "A aspirina ou os AINEs permanecem como o pilar fundamental da terapêutica. A colchicina é recomendada para além da terapêutica anti-inflamatória convencional, de modo a melhorar o prognóstico e reduzir a taxa de recorrência." Ou seja, AINEs e colchicina compõem o tratamento de escolha; corticosteroides são reservados para casos refratários. O objetivo é aliviar os sintomas e evitar recidiva.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) AAS + Clopidogrel + betabloqueador: abordagem clássica de síndrome coronariana aguda (SCA), mas o ECG e o quadro clínico (elevação difusa de ST) não sugerem infarto, e sim pericardite.
  • B) Encaminhar para angioplastia: conduta indicada em IAM com supradesnivelamento de ST, com padrão regional e instabilidade. Não é o caso deste quadro.
  • C) Punção do derrame pericárdico: só indicada se houver tamponamento cardíaco; sem evidências clínicas no relato.

Estratégia para provas: Busque no enunciado sintomas característicos de pericardite (dor pleurítica, melhora ao inclinar para frente, atrito ao exame físico, elevação difusa de ST). Atenção para não confundir IAM (elevação de ST restrita a territórios anatômicos) com pericardite, erro comum em provas.

Resumo: Pericardite aguda, sem sinais de complicação, exige tratamento com AINEs e colchicina, segundo diretrizes nacionais e internacionais.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo