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Q3080073 Medicina
Paciente, 50 anos, chegou ao pronto-socorro relatando dor torácica intensa, de início súbito, irradiando para o braço esquerdo e mandíbula, com duração superior a 20 minutos e sem alívio com repouso ou uso de nitratos sublinguais. Além da dor, ele descreveu sensação de opressão no peito, sudorese profusa, náuseas e uma sensação iminente de morte. Ao exame físico, o paciente encontrava-se ansioso, pálido e diaforético. A pressão arterial estava levemente elevada, e a frequência cardíaca aumentada, apresentando taquicardia. A ausculta cardíaca revelou ritmo regular sem sopros aparentes, enquanto a ausculta pulmonar indicava estertores bibasais. Os exames laboratoriais iniciais mostraram elevação significativa dos marcadores cardíacos (troponina e CK-MB). O eletrocardiograma (ECG) revelou elevações do segmento ST nas derivações V1 a V4. Diante do quadro clínico do paciente, qual o diagnóstico mais provável? 
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Tema central: Síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento do ST (IAM com supra) e localização topográfica pelo ECG.

Alternativa correta: D – Infarto agudo do miocárdio de parede ântero-septal.

Por quê? Quadro clínico típico de isquemia miocárdica (dor opressiva prolongada, sudorese, náuseas) + elevação de troponina/CK-MB confirma necrose miocárdica. O ECG com supra de ST em V1–V4 indica acometimento do septum (V1–V2) e da parede anterior (V3–V4), padrão clássico de IAM ântero-septal, geralmente por oclusão da artéria descendente anterior (DA) proximal. Estertores bibasais sugerem congestão pulmonar por disfunção ventricular esquerda, coerente com IAM anterior extenso. (Diretrizes ESC/SBC; Harrison’s).

Critérios diagnósticos essenciais (revisão rápida): Sintomas compatíveis + elevação/queda de troponina + evidência de isquemia (ex.: supra de ST em ≥2 derivações contíguas). Em V1–V4, supre critério de IAM com supra. (ESC 2017/2020; SBC 2022).

Por que as demais estão incorretas?

A) Pericardite – Geralmente causa supra de ST difuso (múltiplas derivações, não restrito a V1–V4) com depressão do PR; dor pleurítica e posicional. Aqui há padrão regional em V1–V4 e biomarcador muito elevado, favorecendo IAM. Estertores não são típicos de pericardite não complicada.

B) IAM de parede inferior – Espera-se supra em II, III e aVF, podendo haver bradicardia por envolvimento vagal. O caso traz supra em V1–V4, incompatível com inferior.

C) IAM de parede anterior – Supra predominantemente em V3–V4. Quando o supra inclui V1–V4, há componente septal associado; por isso a melhor designação é ântero-septal. Se fosse V1–V6/I/aVL, seria anterior extenso.

Estratégia de prova: Memorize o mapa de território no ECG:
- V1–V2: septal; V3–V4: anterior; V5–V6, I, aVL: lateral; II, III, aVF: inferior.
Supra contíguo define a parede acometida. Dor típica + troponina alta consolidam o diagnóstico.

Conduta (resumo prático): IAM com supra exige reperfusão imediata — angioplastia primária (tempo porta-balão ≤90–120 min) ou fibrinólise se indisponível precocemente. Terapias de suporte: AAS + inibidor de P2Y12, anticoagulação, estatina de alta intensidade, nitrato e analgesia conforme necessidade, oxigênio apenas se SatO2 <90%, betabloqueador se não houver contraindicações. (ESC/ACC/AHA/SBC).

Dica de ouro: não confundir IAM ântero-septal com pericardite — procure PR depressivo difuso na pericardite e a regionalidade do supra no IAM.

Gabarito: D – Infarto agudo do miocárdio de parede ântero-septal.

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