O uso constante de celulares, com interrupções e excesso de...
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Como ler transforma o cérebro
Enquanto lemos, ativamos circuitos cerebrais que levaram milênios para se desenvolver. A leitura é uma habilidade que transformou o cérebro humano e a sociedade, embora não seja algo natural como a fala. A cientista cognitiva Maryanne Wolf, professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, explica que não nascemos com circuitos preparados para ler, e sim para enxergar e falar. A leitura, portanto, exigiu que nosso cérebro reciclasse funções antigas, como o reconhecimento visual, para atribuir significado a símbolos e sons. Esse processo começou por volta de 3300 a.C., com os sumérios, embora haja discussão sobre a contribuição dos egípcios.
Wolf afirma que a leitura profunda, aquela que envolve reflexão, análise e empatia, está sob ameaça com os hábitos digitais modernos, como a leitura apressada e fragmentada nas telas. O uso constante de celulares, com interrupções e excesso de estímulos, reduz a capacidade de concentração e de compreensão crítica dos textos. O cérebro passa a buscar recompensas rápidas, tornando difícil o engajamento com textos mais densos e elaborados.
Estudos mostram que palavras ativam áreas amplas do cérebro, evocando conceitos múltiplos. Por exemplo, a palavra "bug" desperta associações com insetos, erros de informática ou até o carro Fusca. Além disso, diferentes sistemas de escrita exigem circuitos distintos. O chinês, por ser logográfico, ativa áreas ligadas à memória visual, o que foi observado em pacientes bilíngues com lesões cerebrais que afetaram a leitura do chinês, mas não do inglês.
O estímulo à leitura deve começar na infância. O contato com livros desde cedo favorece o desenvolvimento emocional e cognitivo, ajudando a criança a criar empatia e senso crítico. Por outro lado, crianças privadas desse estímulo enfrentam desvantagens desde os primeiros anos escolares. Um estudo famoso indica que, até os 3 anos, crianças de lares sem estímulos verbais ou leitura escutam cerca de 30 milhões de palavras a menos que outras mais expostas ao vocabulário.
Wolf alerta para uma "crise de leitura": por ser uma habilidade adquirida, ela pode ser atrofiada se não for cultivada. A leitura superficial compromete a capacidade de análise, compreensão profunda, apreciação estética da linguagem e até a habilidade de identificar informações falsas. Crianças que crescem hiperestimuladas por telas e com pouco contato com livros apresentam menor desempenho acadêmico e maior dificuldade de concentração.
Outro ponto abordado é a dislexia, condição que afeta de 4% a 10% da população. Pessoas com dislexia enfrentam desafios específicos na leitura, mas isso não está relacionado à falta de inteligência. Muitas são altamente criativas e brilhantes, havendo indícios de que gênios como Leonardo da Vinci, Thomas Edison e Albert Einstein tivessem dislexia. A dificuldade, na verdade, está ligada a circuitos cerebrais diferentes dos típicos. Wolf, que tem um filho disléxico, defende que crianças com dislexia precisam ser compreendidas e estimuladas, e não rotuladas como preguiçosas.
A pesquisadora conclui que o antídoto para a crise da leitura está no incentivo diário ao hábito de ler, com o envolvimento de pais e professores como modelos. A leitura deve ser apresentada como um santuário pessoal, um espaço de autonomia, reflexão e desenvolvimento intelectual.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c89el24p358o.ADAPTADO.
O uso constante de celulares, com interrupções e excesso de estímulos, reduz a capacidade de concentração e de compreensão crítica dos textos.
Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.
Gabarito comentado
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Tema central: Pontuação - Uso do travessão e da vírgula para isolar informações explicativas.
Esta questão exige o domínio da norma-padrão, especialmente no uso correto dos sinais de pontuação para garantir clareza no texto.
Por que a alternativa D está correta?
A alternativa D faz uso do travessão para isolar a expressão “com interrupções e excesso de estímulos”, um comentário explicativo sobre o uso constante de celulares. O travessão pode substituir vírgulas ou parênteses para dar destaque ou separar informações acessórias, deixando a frase principal fluida e sem alterar seu sentido.
Regra importante: Conforme Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), o travessão isola orações ou segmentos explicativos. Essa escolha melhora a leitura e destaca a informação adicional, sem prejudicar a compreensão.
Exemplo: “Maria – minha irmã mais nova – passou no concurso.”
Análise das alternativas incorretas:
A) O ponto e vírgula separa indevidamente partes de uma mesma ideia. A frase perde o sentido original e acaba desconexa.
B) Coloca vírgula após “textos” e após “celulares”, quebrando a estrutura natural e tornando a construção truncada. Falta conexão adequada das ideias.
C) Emprega vírgulas antes de “e” sem justificativa gramatical, algo inadequado conforme Cunha & Cintra. A vírgula antes de “e” só se usa em casos de sujeitos diferentes ou elementos destacados, o que não ocorre aqui.
Dica para a prova: Sempre que aparecer uma expressão explicativa no meio da frase, avalie se pode (e deve) ser isolada por vírgulas, travessões ou parênteses. Esta é uma das pegadinhas clássicas de provas!
Resumo: O uso do travessão para isolar elementos explicativos mantém o sentido, melhora a clareza e está amparado pela gramática. Obs.: As alternativas erradas infringem regras estruturais e de conexão.
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Comentários
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O travessão pode substituir a vírgula.
Gabarito: D
D) O uso constante de celulares – com interrupções e excesso de estímulos – reduz a capacidade de concentração e de compreensão crítica dos textos.
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Explicação:
· A frase original é:
"O uso constante de celulares, com interrupções e excesso de estímulos, reduz a capacidade de concentração e de compreensão crítica dos textos."
· A alternativa D mantém o sentido original, usando travessões para isolar a expressão explicativa ("com interrupções e excesso de estímulos"), o que é equivalente ao uso de vírgulas e não altera o significado.
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Erros das demais alternativas:
· A) Inverte a ordem da frase e usa ponto e vírgula de forma inadequada, alterando a estrutura e dificultando a compreensão.
· B) Omite "e excesso de estímulos", alterando o sentido original (a causa da redução de concentração fica incompleta).
· C) Insere vírgulas desnecessárias antes e depois de "e excesso de estímulos", fragmentando a ideia e ferindo as regras de pontuação (o "e" não exige vírgula nesse caso).
O uso constante de celulares, com interrupções e excesso de estímulos, reduz a capacidade de concentração e de compreensão crítica dos textos.
O uso constante de celulares − com interrupções e excesso de estímulos − reduz a capacidade de concentração e de compreensão crítica dos textos.
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