Sobre os mecanismos sintáticos destacados no texto, assinale...
O TEXTO A SEGUIR É REFERÊNCIA PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 6 E 7.
Em uma conferência que escreveu sobre o destino da literatura, Lima Barreto afirmava: “Entrando no segredo das vidas e das coisas, a literatura reforça nosso natural sentimento de solidariedade com nossos semelhantes, explicando-lhes os defeitos, realçando-lhes as qualidades e zombando dos fúteis motivos que nos separam uns dos outros. Ela tende a obrigar a todos nós a nos tolerarmos e a nos compreendermos; e, por aí, nós nos chegaremos a amar mais perfeitamente na superfície do planeta que rola pelos espaços sem fim”.
A ideia de que a arte pode ter uma função na sociedade, seja como elemento de união entre os homens, seja pelo potencial de transformação da sociedade, era cara ao escritor carioca, homenageado da 15.ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Sua literatura incluía os suburbanos, negros, despossuídos de toda sorte e, nesse sentido, promovia um olhar da elite letrada sobre tais personagens esquecidos na trama urbana, bem como abarcava seus temas e reivindicações. Um tipo de arte que perdeu o sentido por longas décadas na história da literatura brasileira, mas que nos últimos anos tem mostrado sua pertinência atemporal.
Disponível em: <http://epoca.globo.com/cultura/noticia/2017/07.html>. Acesso em: 14/08/17.
Sobre os mecanismos sintáticos destacados no texto, assinale a alternativa CORRETA.
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Tema central da questão: Regência verbal, função sintática de complementos e conectivos. A questão exige analisar o funcionamento sintático dos termos destacados, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa e a regência dos verbos.
Alternativa correta: E
“A todos nós” é objeto direto preposicionado do verbo “obrigar”. O verbo “obrigar” é transitivo direto e indireto: exige um objeto direto (quem é obrigado) e um objeto indireto (a que é obrigado). Na frase: “Ela tende a obrigar a todos nós a nos tolerarmos e a nos compreendermos”, “a todos nós” é objeto direto preposicionado – a preposição “a” aparece por ênfase/clareza, sem alterar a função.
Gramáticas de referência (Celso Cunha & Lindley Cintra; Bechara) ensinam que, em casos de pronomes pessoais ou por expressividade, admite-se a preposição antes do objeto direto: exemplo de Bechara: “A mim nada ensinaram”. Assim, há corretíssima análise sintática.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta. “Lhes” sempre é objeto indireto, mas os verbos “explicar” e “realçar” no texto são apenas transitivos diretos ou indiretos, respectivamente; não são transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo nas ocorrências citadas.
B) Incorreta. A estrutura “seja… seja…” é correlativa e indica alternativas. Trocar a segunda por “ou” comprometeria o paralelismo estrutural, prejudicando a clareza do texto.
C) Incorreta. “Bem como” é aditiva (e, além de), e não comparativa; “como ainda” altera o sentido e não mantém a relação original.
D) Incorreta. A preposição “de” não é opcional: “ideia de que” exige “de” por regência do termo “ideia”, segundo todas as gramáticas normativas.
Resumo da estratégia:
Sempre avalie a regência do verbo e a função sintática de cada termo, além de identificar o tipo de conectivo e o sentido que traz ao período. Fique atento a detalhes de paralelismo, regência e função de pronomes.
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