Segundo Neville, essa condição ocorre por um aumento na prod...
Gabarito comentado
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Tema central: alterações de queratinização da língua. O enunciado descreve uma condição benigna caracterizada por aumento de produção de queratina ou diminuição da descamação nas papilas filiformes, com coloração acastanhada/amarelada/enegrecida por bactérias cromogênicas e pigmentos do tabaco — quadro clássico de Língua Pilosa (também chamada “lingua villosa nigra”).
Alternativa correta: C – Língua Pilosa
Justificativa: segundo Neville et al. (Oral and Maxillofacial Pathology), a língua pilosa resulta da elongação das papilas filiformes por retenção de queratina, ocorre mais na linha média anterior às papilas circunvaladas e pode apresentar-se marrom, amarela ou preta por colonização por bactérias/fungos cromogênicos, além de pigmentos do tabaco e alimentos. É, portanto, exatamente o quadro descrito. Diagnóstico é clínico. Fatores predisponentes: tabagismo, higiene oral deficiente, xerostomia, uso de antibióticos, dieta pastosa, bochechos oxidantes. Conduta: higiene da língua (escova/raspador 2x/dia), remover fatores de risco, saliva artificial se xerostomia; antifúngicos apenas se candidíase concomitante (Neville; UpToDate).
Estratégia para a prova: grife “mais comum na linha média anterior às papilas circunvaladas” e “coloração por bactérias cromogênicas/tabaco”. Essas pistas praticamente selam o diagnóstico de língua pilosa.
Por que as demais estão incorretas?
A) Grânulos de Fordyce – glândulas sebáceas ectópicas, pápulas amarelas de 1–3 mm, típicas em mucosa jugal e semimucosa labial, assintomáticas. Não há elongação de papilas nem pigmentação por bactérias/tabaco, e a localização não é no dorso lingual (Neville).
B) Hipoglossia – anomalia congênita com língua de tamanho reduzido, frequentemente associada a síndromes oromandibulares. Não envolve queratinização aumentada, não há coloração cromogênica e não é um processo adquirido.
D) Língua Fissurada – múltiplos sulcos/fissuras no dorso da língua, muitas vezes associada a língua geográfica ou síndromes (ex.: Melkersson–Rosenthal, Down). Não há acúmulo de queratina nas papilas filiformes, nem coloração escura por bactérias.
Pegadinha: o enunciado cita “defeito do desenvolvimento”, mas a língua pilosa é uma condição adquirida por alteração de descamação/queratinização, não um defeito embriológico. Foque nas pistas clínicas para não se confundir.
Resumo prático (conduta): orientação, cessar tabagismo/antibiótico se possível, higiene vigorosa da língua (escova/raspador), hidratação; reavaliar. Biópsia raramente necessária, apenas se aspecto atípico ou lesões suspeitas (Neville; UpToDate; recomendações da ADA sobre higiene lingual).
Gabarito: C – Língua Pilosa.
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