Paciente de 28 anos, sexo feminino, com antecedente de cefal...

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Q3792334 Medicina
Paciente de 28 anos, sexo feminino, com antecedente de cefaleia desde os 14 anos, procura atendimento médico devido a aumento da frequência dos episódios. Relata dor em aperto, bilateral, de intensidade moderada, que piora com esforços físicos (como abaixar a cabeça ou subir escadas) e está associada a náuseas. Nega fotofobia, fonofobia, vômitos ou sintomas visuais. Os episódios duram cerca de 24 horas, com aproximadamente 8 dias de dor por mês. Há piora no período perimenstrual e melhora parcial com analgésicos simples. Antecedentes: sobrepeso e constipação. História familiar: mãe com antecedente de cefaleia. Medicações em uso contínuo: nega. Qual alternativa indica o diagnóstico mais provável e o tratamento medicamentoso mais adequado para essa paciente?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Pelos critérios classificatórios vigentes da ICHD-3 para enxaqueca sem aura, o diagnóstico se firma quando há crises com duração de 4 a 72 horas, ao menos duas características da dor e um sintoma associado; no caso, há episódios de 24 horas, dor moderada, piora com atividade física e náusea, o que afasta cefaleia tipo tensão e caracteriza enxaqueca sem aura. Como a frequência é de cerca de 8 dias de dor por mês, trata-se de enxaqueca episódica, e, entre as alternativas, o profilático mais adequado é o propranolol.

Tema central: Enxaqueca sem aura
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque erra o diagnóstico. O caso não se ajusta a cefaleia tipo tensão, já que há piora com esforço físico e náusea, elementos que sustentam enxaqueca sem aura pelos critérios classificatórios vigentes.
B
Errada
Incorreta pelo mesmo vício central da alternativa A: a classificação como cefaleia tipo tensão contraria os dados do caso. Ainda que a amitriptilina possa ter uso em algumas profilaxias, isso não corrige o erro diagnóstico, que é decisivo para afastar a alternativa.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque o quadro clínico preenche os critérios de enxaqueca sem aura: duração de 24 horas, intensidade moderada, agravamento com esforço físico e presença de náusea. A bilateralidade e a qualidade em aperto não excluem esse diagnóstico, pois bastam dois critérios de característica da dor e um sintoma associado. Definido o diagnóstico, a frequência de aproximadamente 8 dias por mês indica enxaqueca episódica com indicação de prevenção, e o propranolol é, dentre as opções apresentadas, a escolha profilática adequada para esse cenário.
D
Errada
Incorreta porque, embora acerte o diagnóstico de enxaqueca sem aura, erra a conduta preventiva mais adequada para a frequência descrita. A toxina botulínica está vinculada ao manejo preventivo da enxaqueca crônica, e o caso informa cerca de 8 dias de dor por mês, o que afasta essa classificação.
E
Errada
Incorreta porque, embora o diagnóstico de enxaqueca sem aura esteja correto, a base sustenta que, entre as alternativas oferecidas, o propranolol é a opção preventiva mais adequada para enxaqueca episódica. Além disso, o perfil clínico com constipação e sobrepeso não favorece a escolha da amitriptilina. A própria base registra que amitriptilina poderia ter utilidade em alguns contextos, mas não é a melhor resposta desta lista para sustentar o gabarito oficial.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre dor bilateral em aperto e cefaleia tipo tensão. Esses dois dados, isoladamente, podem induzir ao erro, mas não prevalecem quando coexistem náusea e piora com atividade física, que são elementos decisivos para enxaqueca sem aura. Também houve armadilha na oferta de toxina botulínica para enxaqueca, apesar de a frequência descrita não ser de enxaqueca crônica.
Dica para questões semelhantes
  • Em cefaleia, não feche diagnóstico só pela bilateralidade ou pela qualidade em aperto; confira se há piora com atividade física e náusea, porque isso desloca o caso para enxaqueca sem aura.
  • Para enxaqueca sem aura, a ausência de fotofobia, fonofobia ou vômitos não exclui o diagnóstico se houver náusea e os demais critérios estiverem presentes.
  • Antes de escolher a profilaxia, classifique a frequência: quadro episódico afasta a indicação típica de toxina botulínica, ligada à enxaqueca crônica.
  • Quando duas alternativas trazem o mesmo diagnóstico, a decisão costuma estar na adequação comparativa do tratamento à frequência e ao perfil clínico descritos.

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