Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do
edifício cochilava, e eu furtei a flor. Trouxe-a para
casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que
ela não estava feliz. O copo destina-se a beber e flor
não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso e notei que ela me
agradecia, revelando melhor sua delicada
composição. Quantas novidades há numa flor se a
contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu
assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água
do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida.
Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para
o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da morte,
peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde
desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste
jardim!
(Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis, 1985)
A atribuição de emoções à flor no texto “Furto de
Flor”, por meio da figura da prosopopeia, desvia
completamente o foco da crítica ecológica e literária,
limitando-se a um discurso lúdico e desvinculado de
qualquer forma de simbolismo existencial ou antropocêntrico, configurando-se como exemplo
típico de literatura infantil sem densidade filosófica.
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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