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Q3546404 Medicina
A hipertensão arterial é uma condição clínica comum, que exige uma abordagem terapêutica personalizada com base nas características individuais do paciente e nos fatores de risco associados. Um paciente de 60 anos, recentemente diagnosticado com hipertensão arterial estágio 2, sem outras comorbidades significativas, apresenta uma pressão arterial consistentemente em torno de 160/100 mmHg. Considerando as diretrizes atuais para o tratamento da hipertensão arterial, qual das seguintes opções representa a melhor escolha terapêutica inicial para este paciente?
Alternativas

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Tema central: manejo inicial da hipertensão arterial estágio 2 (PA ≈160/100 mmHg) em adulto sem comorbidades. Em estágios mais elevados, a queda pressórica necessária raramente é alcançada com um único fármaco; por isso, as diretrizes recomendam terapia inicial combinada de duas classes.

Resposta correta: C) Inibidor da ECA + diurético tiazídico

Justificativa clínica: Paciente com PA consistentemente ≈160/100 mmHg necessita de redução rápida e sustentada da PA. Combinar um IECA (ex.: enalapril, lisinopril) com um diurético tiazídico/tiazida-like (ex.: hidroclorotiazida, clortalidona, indapamida) produz efeito aditivo: o diurético reduz volume e sensibiliza o SRAA; o IECA bloqueia a ativação compensatória do sistema renina-angiotensina, potencializando a queda pressórica e reduzindo hipocalemia. Diretrizes SBC/DBHA 2020, ESC/ESH 2018–2023 e ACC/AHA 2017 recomendam iniciar com dois fármacos de classes diferentes (preferencialmente em single-pill combination) quando PA ≥160/100 mmHg ou ≥20/10 mmHg acima da meta. UpToDate e Harrison’s corroboram.

Estratégia para interpretar: identificar “estágio 2” e “sem comorbidades”. Isso direciona para dupla terapia de 1ª linha (IECA/BRAs + tiazida ou BCC), associada a medidas de estilo de vida, sem postergar tratamento farmacológico.

Análise das alternativas incorretas:

A) Tiazídico em baixa dose (monoterapia) — Insuficiente para estágio 2. Um único agente reduz tipicamente ~10/5 mmHg; em PA ≈160/100 mmHg, a probabilidade de atingir meta é baixa. Diretrizes priorizam terapia combinada inicial.

B) Beta-bloqueador como monoterapiaNão é 1ª linha em hipertenso sem comorbidades (ex.: DAC, IC com FE reduzida, arritmias). Menor impacto em desfechos comparado a IECA/ARB, BCC e tiazidas em prevenção primária. Portanto, inadequado como escolha inicial isolada.

D) Monoterapia com bloqueador de canal de cálcio (BCC) — Classe de 1ª linha, porém monoterapia é subótima em estágio 2. A recomendação é iniciar com duas classes pelo maior efeito redutor e velocidade de controle.

E) Apenas mudan��as de estilo de vida por 6 meses — Medidas não farmacológicas são essenciais (DASH, redução de sal, peso, álcool, exercício), mas não devem postergar a introdução de fármacos em PA ≥160/100 mmHg, devido ao maior risco cardiovascular.

Pegadinhas comuns: confundir “classe de 1ª linha” com “monoterapia sempre”. Em estágio 2, não se inicia com um único fármaco; prefere-se dupla terapia, de preferência em comprimido combinado para melhor adesão.

Referências sucintas: Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (SBC/DBHA 2020); ESC/ESH 2018 e atualização 2023; ACC/AHA 2017; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Conduta prática: iniciar IECA + tiazídico (idealmente em combinação fixa), monitorar PA e eletrólitos, reforçar mudanças de estilo de vida e reavaliar em 2–4 semanas para ajustes.

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