A insuficiência arterial periférica (IAP) é uma condição cl...

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Q3546402 Medicina
A insuficiência arterial periférica (IAP) é uma condição clínica complexa que requer uma abordagem terapêutica multifacetada. Um paciente de 70 anos com histórico de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão apresenta claudicação intermitente com uma distância de caminhada máxima de 100 metros. O índice tornozelo-braquial (ITB) no membro afetado é de 0,65. Considerando as diretrizes atuais e as evidências clínicas disponíveis, qual das seguintes opções representa a melhor abordagem inicial para o tratamento desse paciente? 
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Tema central: manejo inicial da insuficiência arterial periférica (doença arterial periférica) em paciente com claudicação intermitente e ITB 0,65 (doença moderada). Objetivo: aliviar sintomas e reduzir risco cardiovascular, priorizando terapia clínica e exercício supervisionado.

Interpretação clínica: Claudicação aos 100 m sem dor em repouso/lesões isquêmicas sugere claudicação estável, não isquemia ameaçadora do membro. ITB 0,65 confirma PAD moderada. Diretrizes AHA/ACC 2024, ESC 2017 e SVS recomendam tratamento conservador como primeira linha.

Alternativa correta (B): Cilostazol + exercício físico supervisionado. O cilostazol (inibidor da fosfodiesterase-3) melhora a distância de caminhada e os sintomas de claudicação; é classe I nas diretrizes, desde que sem insuficiência cardíaca (contraindicação). O treinamento supervisionado (3x/semana, ≥12 semanas) é intervenção com maior evidência para aumentar distância de marcha e qualidade de vida. Além disso, deve-se associar: antiagregante (AAS ou clopidogrel), estatina em alta intensidade, controle rigoroso de DM e PA, cessação do tabagismo e cuidados com pés (UpToDate; Harrison’s).

Por que as outras estão incorretas?

A) Angioplastia/stent: indicada quando há falha do tratamento conservador em sintomas limitantes ou em isquemia crítica (dor em repouso, úlcera, gangrena). Como abordagem inicial para claudicação estável, é prematura (AHA/ACC 2024).

C) Anticoagulantes orais: não tratam claudicação e aumentam risco de sangramento. O padrão é antiagregante plaquetário. A combinação rivaroxabana 2,5 mg + AAS pode ser considerada em alto risco selecionado para reduzir eventos CV/MALE, não como “prevenir progressão” da claudicação isolada.

D) IECA como “tratamento específico” da IAP: IECAs/BRAs reduzem risco CV e controlam PA, podendo ter benefícios funcionais em alguns estudos, mas não são terapia específica para claudicação. São parte do controle de fatores de risco, não substituem exercício/cilostazol.

E) Bypass imediato: cirurgia é reservada a doença extensa com falha da terapia clínica e quando anatomia favorece melhor desfecho cirúrgico, ou em isquemia crítica. Inadequado como primeira abordagem neste caso.

Pegadinhas de prova: confundir antiagregante com anticoagulante; indicar revascularização sem antes tentar exercício supervisionado e cilostazol; considerar IECA “específico”.

Resumo prático: Inicie exercício supervisionado + cilostazol (se sem IC), associe antiagregante, estatina e otimização de DM/PA/tabagismo. Reserve revascularização para falha terapêutica ou isquemia crítica.

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