Durante a avaliação pré-anestésica, uma paciente de 68 anos...

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Q3792279 Medicina
Durante a avaliação pré-anestésica, uma paciente de 68 anos, portadora de DPOC moderada controlada, angina estável e hipertensão bem controlada, será submetida a colecistectomia videolaparoscópica eletiva. Além da classificação ASA, o anestesiologista deve planejar o local de recuperação pós-operatória. De acordo com as boas práticas e a condição clínica da paciente, qual é a conduta mais apropriada?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: American Society of Anesthesiologists (ASA), Statement on ASA Physical Status Classification System: "ASA III A patient with severe systemic disease. Examples include: ... COPD ... history (>3 months) of MI, CVA, TIA, or CAD/stents." A paciente descrita, com DPOC moderada e angina estável, se enquadra em ASA III.

Tema central: Classificação ASA e recuperação
Análise das alternativas
A
Errada
Está incorreta por dois motivos concretos. Primeiro, erra a classificação: ASA II corresponde a doença sistêmica leve, e a base afirma que DPOC moderada associada a angina estável enquadra a paciente em ASA III. Segundo, fixa alta para enfermaria após 6 horas por critério temporal abstrato, quando a base exige recuperação orientada por estabilidade clínica e avaliação de risco, não por prazo rígido.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque atribui ASA III, classificação compatível com doença sistêmica grave controlada, mas clinicamente relevante, como DPOC moderada e doença coronariana estável. Além disso, a base indica que, nas boas práticas de recuperação pós-anestésica, o destino pós-operatório deve considerar comorbidades e risco perioperatório, com suporte até estabilização. Nesse recorte adotado pela banca, a letra B é a opção que combina o enquadramento ASA correto com maior vigilância no pós-operatório imediato, sem ampliar a base para impor UTI como comando textual obrigatório. O apoio normativo indicado na base reforça isso ao prever, no Protocolo Clínico Setorial PRT.UBC.340 - Recuperação Pós-Anestésica (HC-UFMG/EBSERH), 23/01/2026: "− Oferecer suporte ao paciente na recuperação da anestesia, até que reflexos protetores estejam presentes, sinais vitais voltem à normalidade e seja recuperada a consciência."
C
Errada
Também está incorreta porque repete o erro de classificar a paciente como ASA II, em confronto direto com o enquadramento ASA III dado pela base. Além disso, reduz a recuperação a 2 horas em observação, sem respaldo nos critérios clínicos indicados para paciente com comorbidades cardiopulmonares relevantes.
D
Errada
A incorreção está na segunda parte da alternativa. Embora ASA III esteja certo, a liberação para enfermaria com fundamento apenas no suposto pequeno porte cirúrgico contraria a base, que afirma que o local de recuperação depende do risco clínico global e das comorbidades, não só do porte do procedimento. A paciente tem risco cardiopulmonar relevante, o que afasta liberação simples imediata para enfermaria por esse único critério.
E
Errada
Está incorreta porque ASA IV exige doença sistêmica grave que represente ameaça constante à vida, e a base afirma expressamente que esse não é o quadro descrito. Também não há no enunciado indicação de necessidade de ventilação mecânica prolongada, de modo que a alternativa acrescenta requisito clínico ausente.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões reais: tratar comorbidades controladas, mas relevantes, como se fossem apenas ASA II e definir o destino pós-operatório apenas pelo porte da cirurgia ou por tempo fixo de recuperação, ignorando o risco cardiopulmonar da paciente.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro feche a classificação ASA: DPOC e doença coronariana estável afastam ASA II e, sem ameaça constante à vida, também afastam ASA IV.
  • Não valide alta para enfermaria com base apenas em horas de observação; a base exige suporte e monitorização até recuperação clínica adequada.
  • No planejamento pós-anestésico, confronte o porte cirúrgico com as comorbidades, porque o risco clínico global pode exigir maior vigilância.
  • Se apenas uma alternativa combinar a classificação ASA correta com conduta pós-operatória compatível com maior monitorização, ela tende a ser o gabarito.

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