Observe as frases do texto: I. Quem passa a pedra na pele, ...
Cidade de Goiânia, Brasil, setembro de 1987: dois papeleiros encontram um tubo de metal num terreno baldio. Quebram-no a marretadas e descobrem uma pedra de luz azul. A pedra mágica transpira luz, azulece o ar e dá fulgor a tudo o que toca.
Os papeleiros partem em pedaços essa pedra de luz e os oferecem aos vizinhos. Quem passa a pedra na pele, brilha à noite. O bairro todo é uma lâmpada. O pobrerio, subitamente rico de luz, está em festa.
No dia seguinte, os papeleiros vomitam. Comeram manga com coco, será por isso? Mas todo o bairro vomita e todos estão inchados, com queimaduras. A luz azul queima, devora, mata, e se dissemina levada pelo vento, pela chuva, pelas moscas, pelos pássaros.
Foi uma das maiores catástrofes nucleares da história. Muitos morreram e muitos ficaram inutilizados para sempre. Naquele bairro do subúrbio de Goiânia ninguém sabia o que significava radioatividade e ninguém jamais ouvira falar em césio 137.
Um mês depois da tragédia, o chefe da Polícia Federal em Goiás declarou:
– A situação é absurda. Não existe ninguém responsável pelo controle da radioatividade que se usa para fins medicinais.
(Eduardo Galeano, De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso, 2020. Adaptado)
I. Quem passa a pedra na pele, brilha à noite.
II. Comeram manga com coco, será por isso?
Em sala de aula, valendo-se do texto como objeto de estudo da língua e seus efeitos de sentido, é correto afirmar, em relação aos fatos linguísticos observados nas frases, respectivamente, que