Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO retoma ...

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Q3991113 Português
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Texto 2

Do burnout ao propósito: a nova jornada
psicológica nas organizações

Caminho consiste em abordagens preventivas, que
fomentem um ciclo virtuoso de produtividade,
comprometimento e bem-estar

Clécio Branco

O trabalho sempre ocupou um lugar central em nossas vidas – mas raramente a saúde de quem trabalha foi tratada com a mesma importância. Isso começa a mudar, ainda que lentamente. Agora, até mesmo a linguagem normativa dá sinais de transformação: a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor neste mês, passa a reconhecer os riscos psicossociais – como ansiedade, estresse e depressão – como parte da realidade que precisa ser cuidada no ambiente laboral.

Esse avanço regulatório é consequência de um cenário que já vinha se agravando: o crescimento dos transtornos mentais associados ao trabalho, os altos índices de afastamento e a dificuldade de retenção e engajamento dos profissionais. O adoecimento psíquico se tornou, infelizmente, uma marca da era contemporânea.

Desde os primórdios da industrialização, o bem-estar dos trabalhadores foi negligenciado. Os departamentos de pessoal, no passado, limitavam-se à lógica da produtividade. A saúde mental só passou a ser levada a sério quando os impactos econômicos do esgotamento se tornaram evidentes.

Hoje, a transformação é mais profunda. Vivemos na chamada sociedade do desempenho, em que a pressão não vem apenas do chefe: ela está internalizada. Cada profissional tornou-se gestor de si mesmo, cobrando-se o tempo todo, respondendo a e-mails no jantar, gerenciando metas pessoais como se fosse uma empresa. O telefone celular se transformou no símbolo dessa vigilância constante, dissolvendo as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de vida.

Nesse contexto, o trabalho deixou de ser apenas atividade e passou a ser identidade. E isso trouxe consequências. Condições como burnout, déficit de atenção e ansiedade crônica têm se tornado comuns – não por fragilidade individual, mas por estruturas que não reconhecem limites humanos.

As novas gerações não se reconhecem mais nos modelos tradicionais. A ideia de uma carreira estável numa única empresa parece anacrônica. Ganha espaço uma busca por propósito, por coerência entre o que se faz e o que se acredita. O trabalhador contemporâneo quer mais do que salário: quer sentido, autonomia e saúde emocional.

Esse cenário exige um novo olhar das empresas. A "ecosofia", proposta pelo filósofo Félix Guattari, oferece uma chave de leitura interessante ao propor o cuidado simultâneo com três dimensões: o ambiente, as relações sociais e o mundo interno de cada pessoa. Negligenciar uma dessas esferas compromete o sistema como um todo.

A saúde no trabalho, portanto, não pode mais ser pensada apenas como ergonomia ou ergonomia emocional. É preciso ir além dos benefícios pontuais e promover uma mudança cultural real – onde cuidar da mente não seja exceção, mas prática cotidiana.

Apesar do avanço tecnológico, as relações de trabalho não acompanharam essa evolução. Elas se tornaram mais líquidas, mais impessoais e, muitas vezes, mais desumanas. Normas como a NR-17 já apontavam para fatores biopsicossociais, mas a mudança necessária não virá apenas por meio da legislação.

Sem saúde, a realização pessoal torna-se inviável; sem realização, o engajamento sustentável é impossível. O caminho consiste em políticas eficazes de saúde ocupacional, com abordagens preventivas, que fomentem um ciclo virtuoso de produtividade, comprometimento e bem-estar nas organizações.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/05/doburnout-ao-proposito-a-nova-jornada-psicologica-nasorganizacoes.shtml. Acesso em: 30 jun. 2025.
Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO retoma um referente já mencionado no Texto 2, não podendo ser classificado, portanto, como um pronome relativo. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a ausência de antecedente nominal retomado por “que” em “Isso começa a mudar, ainda que lentamente.”; nessa estrutura, o termo destacado integra locução de valor concessivo/ressalvador, com uso conjuntivo, e por isso não se classifica como pronome relativo, ao contrário das demais alternativas.

Tema central: funções morfossintáticas da palavra que
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada como resposta porque, em “Vivemos na chamada sociedade do desempenho, em que a pressão não vem apenas do chefe”, o termo destacado retoma “sociedade do desempenho”. Há antecedente expresso e a construção “em que” introduz oração que caracteriza esse referente, com valor equivalente a “na qual”. Portanto, trata-se de pronome relativo, não do caso pedido pelo enunciado.
B
Errada
Está errada como resposta porque, em “a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor neste mês”, o “que” retoma “a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1)”. A oração “que entra em vigor neste mês” acrescenta informação sobre esse antecedente. A presença de vírgula não elimina a retomada; logo, o termo exerce função de pronome relativo.
C
Errada
Está errada como resposta porque, em “com abordagens preventivas, que fomentem um ciclo virtuoso de produtividade”, o “que” retoma “abordagens preventivas”. A oração introduzida pelo relativo atribui a essas abordagens a ação de “fomentem um ciclo virtuoso”. O verbo no subjuntivo não altera esse fato: continua havendo antecedente nominal expresso e retomado.
D
Certa
A alternativa D está certa porque, em “ainda que lentamente”, não há antecedente nominal sendo retomado por “que”. O núcleo da identificação do pronome relativo é a retomada anafórica de um termo anterior, com introdução de oração subordinada adjetiva. Aqui isso não ocorre: “ainda que” funciona como estrutura conjuntiva de valor concessivo/atenuativo. Mesmo com verbo elíptico, o ponto decisivo permanece o mesmo: o “que” não retoma antecedente e, por isso, não é pronome relativo.
E
Errada
Está errada como resposta porque, em “Esse avanço regulatório é consequência de um cenário que já vinha se agravando”, o “que” retoma “um cenário”. A oração “que já vinha se agravando” caracteriza esse antecedente e, por isso, o termo destacado é pronome relativo. O fato de o antecedente ser abstrato não elimina a relação de retomada.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre toda ocorrência de “que” e pronome relativo. O ponto real de armadilha está em “ainda que”, onde há conexão semântica entre segmentos, mas não coesão por retomada de antecedente. Também tenta induzir erro em casos como “em que” e em ocorrências com vírgula antes de “que”, que continuam sendo pronomes relativos.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de classificar “que”, procure um antecedente nominal expresso que ele esteja retomando.
  • Se houver retomada de um termo anterior e a oração caracterizar esse termo, trata-se de pronome relativo.
  • Locuções como “ainda que” devem ser testadas pelo critério da retomada: sem antecedente, o “que” não é relativo.
  • Não descarte o pronome relativo só porque ele vem com preposição, como em “em que”, ou após vírgula.

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Comentários

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A) “... sociedade do desempenho, em que a pressão...”

→ “em que” retoma “sociedade do desempenho”.

É pronome relativo (equivale a “na qual”).

B) “... NR-1, que entra em vigor...”

→ “que” retoma “NR-1”.

É pronome relativo.

C) “... abordagens preventivas, que fomentem...”

→ “que” retoma “abordagens preventivas”.

É pronome relativo.

D) “Isso começa a mudar...”

→ “isso” não retoma um termo específico com função de ligação.

Apenas faz referência geral a uma ideia anterior.

Não é pronome relativo (é pronome demonstrativo).

E) “... cenário que já vinha se agravando...”

→ “que” retoma “cenário”.

É pronome relativo.

Resposta final: D

Para saber se é pronome relativo substitui por :  

"a qual", "o qual" se não bater certo. Já tira

a)em que = onde = Na qual, nas quais, no qual, nos quais

Vivemos na chamada sociedade do desempenho, na qual a pressão não vem apenas do chefe

O.S.Adjetiva Explicativa - P.R

b)A nova redação da norma regulamentadora, a qual entra em vigor neste mês

O.S.Adjetiva Explicativa - P.R

c)com abordagens preventivas, as quais fomentem um ciclo virtuoso de produtividade

d)Isso começa a mudar, ainda que lentamente

ainda que, apesar de, mesmo, embora conquanto, loc conjuntiva concessiva

e)Esse avanço regulatório é consequência de um cenário a qual já vinha se agravando

O.S.Adjetiva Explicativa

SE FOR PARA DESISTIR, DESISTA DE SER FRACO - WILL DETILI

#PCBA

Que só vai retomar quando for PRONOME RELATIVO, CONJUNÇÃO INTEGRANTE não retoma nada

LETRA D

Pronome relativo - QUE = A qual/ O qual

Conjunção integrante - QUE = Isso

O ''ainda que'' atua como uma referência concessiva, a qual tem a função de introduzir uma ideia de oposição, contraste ou ressalva. Portanto, esse termo não pode retomar uma ideia já citada.

PCBA, AD AETERNUM

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