Considerando o excerto a seguir: “Neste 5 de maio, que saib...

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Q3991103 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Texto 1

Sem cultura não há partilha; sem língua não há
cidadania nem futuro

Falar português é mais do que dominar um idioma: é
compreender códigos sociais, partilhar valores e
histórias

José Manuel Diogo

    Nesta segunda-feira (5), Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebramos não apenas um idioma, mas uma comunidade. Uma língua não é apenas um conjunto de palavras – é um território partilhado, um exercício contínuo de cidadania. E é por isso que, ao olharmos para os recentes debates sobre imigração em Portugal, devemos recolocar a língua no centro da equação: como critério de integração, como vetor de cultura e, sobretudo, como fundamento da cidadania contemporânea.


    Os dados falam por si: dos 4.500 imigrantes recentemente notificados para deixar Portugal, apenas cerca de 10% são brasileiros. Esse número, silencioso, revela uma prática que merece ser assumida como política – a valorização da língua como instrumento de inclusão.


    Falar português é mais do que dominar um idioma: é participar de uma cultura, compreender códigos sociais, partilhar valores e histórias. É estar pronto para exercer uma cidadania ativa, mesmo antes de qualquer formalização administrativa.


    A cidadania, aliás, é o fio que liga todos os argumentos sobre imigração. Porque não se trata apenas de entrar num país – trata-se de participar nele. E essa participação só se realiza de forma plena quando há cultura comum. A língua, nesse sentido, não é uma barreira: é a porta de entrada. Quem fala a nossa língua já iniciou o percurso da cidadania. E ignorar isso é negar a própria natureza do convívio democrático.


    Portugal, como país historicamente emigrante, deveria ter essa consciência profundamente enraizada. Fomos – e somos – milhões lá fora. E o que nos manteve ligados ao país de origem não foi a distância medida em quilômetros, mas a continuidade da língua. Ela nos permitiu manter os afetos, transmitir memórias, educar os filhos. Ela foi – e é – a nossa forma mais duradoura de cidadania.


    Por isso, quando se verificam identidades, quando se traçam fronteiras administrativas, é urgente reconhecer que, sem cultura partilhada, toda a política migratória será falha. A cidadania não se constrói apenas com documentos – constrói-se com convivência. E não há convivência duradoura sem linguagem comum.


    Precisamos nos juntar cotidianamente em torno do que é diferente e partilhá-lo para que se torne comum. Isso fará com que a língua portuguesa não seja apenas celebrada em discursos, mas assumida como um pilar ativo de integração e de cidadania global.


    Neste 5 de maio, que saibamos ver na língua o que ela realmente é: um lugar onde pertencemos, antes mesmo de chegarmos. E que saibamos reconhecer nos que partilham essa língua o direito pleno de também pertencer.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/05/semcultura-nao-ha-partilha-sem-lingua-nao-ha-cidadania-nemfuturo.shtml. Acesso em: 30 jun. 2025.
Considerando o excerto a seguir: “Neste 5 de maio, que saibamos ver na língua o que ela realmente é: um lugar onde pertencemos, antes mesmo de chegarmos.”, assinale a alternativa correta quanto ao uso de seus elementos de coesão.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No excerto “Neste 5 de maio, que saibamos ver na língua o que ela realmente é: um lugar onde pertencemos, antes mesmo de chegarmos.”, a construção “que saibamos” com verbo no subjuntivo é o elemento decisivo do enunciado exortativo; sua substituição por “sabemos” altera esse valor e compromete a organização coesivo-discursiva do período, o que confirma a alternativa B.

Tema central: coesão no excerto final
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque atribui a “neste” um valor de retomada de elemento já mencionado. No trecho “Neste 5 de maio”, o demonstrativo marca proximidade temporal em relação ao momento da enunciação. O critério é dêitico-temporal, não anafórico.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica um efeito textual real da forma verbal. No excerto, “que saibamos” não apresenta um fato; formula uma exortação ou desejo dirigido a um “nós” implícito. Essa construção depende da combinação entre “que” e o subjuntivo. A substituição por “sabemos”, no indicativo, transforma a passagem em assertiva e descaracteriza o encadeamento discursivo do fechamento do artigo. Portanto, não seria uma simples troca verbal sem consequência: haveria prejuízo na coesão discursiva do trecho.
C
Errada
Está errada porque a elipse de “nós” em “saibamos”, “pertencemos” e “chegarmos” é plenamente recuperável pela desinência verbal e funciona como recurso legítimo de coesão referencial em português. A base não autoriza tratar essa omissão como inadequada ao texto jornalístico.
D
Errada
Está errada porque “ela” não antecipa um referente posterior; retoma um referente já expresso antes no mesmo segmento: “a língua”. Logo, o pronome é anafórico, e não catafórico.
E
Errada
Está errada porque “onde” retoma “um lugar” e preserva valor locativo, ainda que metafórico. Substituí-lo por “que” elimina essa relação locativa e não mantém a mesma adequação na norma-padrão nem o mesmo valor semântico da construção.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre gramática verbal isolada e coesão discursiva: muitos candidatos tratam “saibamos” e “sabemos” como mera variação de forma, mas aqui o subjuntivo é parte da construção exortativa do fecho do texto. Também há armadilhas secundárias com “neste” como dêixis temporal e com “ela” como retomada anafórica, não antecipação.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o verbo participa de uma construção com valor de desejo, exortação ou hipótese; nesse caso, mudar o modo verbal pode alterar o encadeamento discursivo, não só a flexão.
  • Em pronomes e demonstrativos, confirme primeiro a função no contexto: “neste” pode marcar proximidade da enunciação, e não retomada textual.
  • Antes de aceitar substituições por pronomes relativos, teste se o valor semântico original foi mantido; em estruturas com “lugar”, “onde” preserva a ideia locativa.

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Comentários

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E - O termo “onde” pode ser substituído por “que” mantendo-se a adequabilidade na norma-padrão da língua portuguesa.

Correção: Como o "onde" carrega a ideia de "lugar em que algo está", para trocá-lo pelo "que" você precisa trazer junto a preposição "em".

Incorreto (apenas "que"): "A cidade que nasci é linda."

Correto ("em que"): "A cidade em que nasci é linda."

Correto ("na qual"): "A cidade na qual nasci é linda."

Não seria ''A / A que'' ?

Quem pertence, pertence A ALGUM LUGAR.

Essa eu acertaria, mas não li direito o enunciado. Era para escolher a correta.

“Neste 5 de maio, que saibamos ver na língua o que ela realmente é: um lugar onde pertencemos, antes mesmo de chegarmos.”

“Neste 5 de maio, que sabemos ver na língua o que ela realmente é: um lugar onde pertencemos, antes mesmo de chegarmos.”

A substituição do verbo “saibamos”, no modo subjuntivo, por “sabemos”, no modo indicativo, causaria problemas de coesão no excerto.

Causa problemas de coesão sim!, observem como fica estranho...

  •  Anáfora (Retoma o passado)
  • A anáfora serve para evitar repetições, retomando um termo ou ideia que já foi mencionado anteriormente no texto. Para esse papel, o mais comum é o uso do pronome esse
  • Exemplo: "Comprar um carro novo é o sonho de muitos. Esse sonho exige bastante planejamento."

  •  Catafora (Anuncia o futuro)
  • A catáfora funciona como um suspense ou anúncio. Ela aponta para frente, antecipando uma informação ou explicação que virá logo em seguida. Para essa função, usa-se o pronome este.
  • Exemplo: "Preciso lhe dizer este segredo: vou viajar amanhã!"

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