Durante auditoria realizada em contrato firmado por uma Câma...

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Q4278507 Direito Administrativo
Para responder à questão, considere as disposições da Lei Federal nº 14.133/2021 – Lei de Licitações e Contratos Administrativos.
Durante auditoria realizada em contrato firmado por uma Câmara Municipal para reforma de seu prédio administrativo, foram identificadas irregularidades relevantes tanto na fase licitatória quanto na execução contratual. Diante da impossibilidade de saneamento, instaurou-se discussão acerca da eventual declaração de nulidade do ajuste e de seus efeitos. Sobre o tema, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A nulidade contratual opera retroativamente. A Lei nº 14.133/2021, art. 148, caput, determina: “A declaração de nulidade do contrato administrativo requererá análise prévia do interesse público envolvido, na forma do art. 147 desta Lei, e operará retroativamente, impedindo os efeitos jurídicos que o contrato deveria produzir ordinariamente e desconstituindo os já produzidos.” Assim, diante das irregularidades insanáveis, eventual declaração de nulidade não preserva integral e automaticamente os efeitos anteriores: B contraria a regra legal e é a alternativa incorreta solicitada.

Tema central: Efeitos da nulidade contratual
Análise das alternativas
A
Errada
Não deve ser assinalada, pois está juridicamente correta. O art. 147, caput e incisos I e II, exige que a suspensão ou a declaração de nulidade seja medida de interesse público, mediante avaliação que inclui impactos econômicos e financeiros e riscos sociais decorrentes do atraso na fruição dos benefícios contratuais. A impossibilidade de saneamento não dispensa essa avaliação.
B
Certa
O § 2º do art. 148 permite excepcionalmente adiar a eficácia da decisão para assegurar a continuidade administrativa e viabilizar nova contratação. Essa faculdade depende de decisão da autoridade e não transforma a preservação dos efeitos anteriores em regra automática.
C
Errada
Não deve ser assinalada, pois corresponde ao art. 147, parágrafo único. Se a paralisação ou a anulação não atender ao interesse público, a continuidade contratual é um dever, acompanhado da solução da irregularidade por indenização por perdas e danos, sem afastar a apuração de responsabilidade e as penalidades cabíveis.
D
Errada
Não deve ser assinalada, pois o art. 149 mantém o dever de indenizar o contratado pelo executado até a declaração ou a eficácia da nulidade, desde que a irregularidade não lhe seja imputável. A alternativa também não exclui a indenização por outros prejuízos regularmente comprovados, prevista no mesmo dispositivo. Esse dever indenizatório não equivale à preservação integral dos efeitos do contrato nulo.
E
Errada
Não deve ser assinalada, pois enuncia a faculdade prevista na Lei nº 14.133/2021, art. 148, § 2º: “Ao declarar a nulidade do contrato, a autoridade, com vistas à continuidade da atividade administrativa, poderá decidir que ela só tenha eficácia em momento futuro, suficiente para efetuar nova contratação, por prazo de até 6 (seis) meses, prorrogável uma única vez.” Trata-se de diferimento da eficácia por decisão da autoridade, vinculado à continuidade administrativa e ao tempo necessário para nova contratação, não de efeito futuro automático.
Pegadinha da questão
Confundir a retroatividade da nulidade com a faculdade excepcional de adiar a eficácia da decisão. Nem esse adiamento nem o dever de indenizar o executado significam preservação integral e automática dos efeitos anteriores.
Dica para questões semelhantes
  • Separe a regra do art. 148, caput — retroatividade e desconstituição dos efeitos — da faculdade de diferimento prevista no § 2º.
  • No diferimento, confira a decisão da autoridade, a finalidade de continuidade administrativa, o tempo suficiente para nova contratação e o limite de seis meses, prorrogável uma única vez.
  • Irregularidade insanável não determina anulação automática: a medida depende da avaliação do interesse público exigida pelo art. 147.
  • Não confunda indenização com manutenção dos efeitos contratuais: o art. 149 protege o executado nas condições legais, sem afastar a nulidade.

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Comentários

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Art. 148. A declaração de nulidade do contrato administrativo requererá

análise prévia do interesse público envolvido, na forma do art. 147 desta Lei,

e *operará retroativamente*, impedindo os efeitos jurídicos que o contrato

deveria produzir ordinariamente e desconstituindo os já produzidos.

§ 1o Caso não seja possível o retorno à situação fática anterior, a nulidade

será resolvida pela indenização por perdas e danos, sem prejuízo da apuração

de responsabilidade e aplicação das penalidades cabíveis.

§ 2o Ao declarar a nulidade do contrato, a autoridade, com vistas à

continuidade da atividade administrativa, poderá decidir que ela só tenha

eficácia em momento futuro, suficiente para efetuar nova contratação, por

prazo de até 6 (seis) meses, prorrogável uma única vez.

LEI DE LICITAÇOES: NULIDADE CONTRATTUAL

A nulidade do contrato não produz efeitos só para o futuro (ex nunc). Ela retroage (ex tunc) para desfazê-lo desde o início.

Empresa contratada para construir uma escola: A obra começou, mas descobriu-se uma fraude grave no processo de licitação.

O que acontece: O contrato é anulado desde o início (ex tunc), mas a prefeitura paga pelas salas já construídas para não enriquecer de graça.

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