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Q3332153 Medicina
Um paciente de 68 anos refere episódios de perda involuntária de fezes e gases. Durante o exame proctológico, qual é o teste complementar mais indicado para confirmar o diagnóstico de incontinência fecal e identificar possíveis causas?
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Incontinência fecal em idosos e o exame complementar que confirma o diagnóstico funcional e ajuda a identificar causas (esfíncter interno/externo, sensibilidade e complacência retal).

Alternativa correta: A — Manometria anorretal

Justificativa: A manometria anorretal é o principal teste funcional para incontinência fecal. Ela mede pressões de repouso (esfíncter anal interno), de contração voluntária (esfíncter anal externo e puborretal), avalia o reflexo inibitório retoanal (RAIR), a sensibilidade retal e a complacência por distensão com balão. Esses dados confirmam o distúrbio e sugerem a etiologia: por exemplo, pressão de repouso baixa indica disfunção do esfíncter interno; pressão de contração baixa, lesão/neuropatia do esfíncter externo; hipersensibilidade retal sugere urgência fecal; hipossensibilidade, retenção e transbordamento. Diretrizes da ASCRS e AGA recomendam a manometria como exame inicial para caracterização funcional (ASCRS 2023; UpToDate).

Estratégia para a prova: Quando o enunciado pede “confirmar o diagnóstico e identificar causas” em incontinência, pense em um exame que quantifique função e sensibilidade — isso favorece a manometria. Exames de imagem são úteis para lesões estruturais, mas não confirmam a disfunção funcional.

Análise das alternativas incorretas

B — Retossigmoidoscopia: Avalia mucosa retal/sigmoide (proctite, neoplasia, inflamação). Pode identificar causas de diarreia/urgência, mas não mede função esfincteriana nem sensibilidade/complacência. Não confirma incontinência.

C — Ultrassonografia endoanal: Excelente para defeitos anatômicos (rupturas do EAI/EAE, lesões obstétricas) e útil se houver suspeita estrutural ou planejamento cirúrgico. Porém, não avalia função (pressões, reflexos, sensibilidade). Geralmente é exame complementar após a manometria ou quando há suspeita de lesão do esfíncter.

D — Colonoscopia: Indicada se houver sinais de alarme, sangramento, IBD, neoplasia ou diarreia crônica. Não avalia continência nem função anorretal. Não confirma o diagnóstico de incontinência.

E — Teste do lápis: Não é um teste validado para avaliação de continência fecal. Não consta nas diretrizes e não fornece dados funcionais relevantes.

Resumo prático: História clínica e exame digital orientam; a manometria anorretal confirma e caracteriza a disfunção; a US endoanal pesquisa lesão estrutural quando indicada; defecografia e teste de expulsão do balão podem complementar. Tratamento baseia-se em corrigir diarreia/constipação, fibras, loperamida, fisioterapia/biofeedback; casos selecionados: neuromodulação/suturas/esfinteroplastia (ASCRS, AGA, UpToDate).

Referências: ASCRS Clinical Practice Guideline for Fecal Incontinence (2023); AGA Technical Review on Constipation and Fecal Incontinence; UpToDate: Evaluation of fecal incontinence in adults; Rao SSC et al., Anorectal testing recommendations.

Gabarito: A

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