Com base na leitura do texto a seguir, responda à questão.
O tempo e as jabuticabas
Contei meus anos e descobri que terei menos
tempo para viver daqui para frente do que já vivi até
agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma
bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou
displicente, mas percebendo que faltavam poucas, rói o
caroço.
Já não tenho tempo para lidar com
mediocridades. Não quero estar em reuniões onde
desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquietome com invejosos tentando destruir quem eles
admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos
megalomaníacos. Não participarei de conferências que
estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do
mundo. Não quero que me convidem para eventos de
um fim de semana com proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para conversas
intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas
alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres
de pessoas que, apesar da idade cronológica, são
imaturas. Não quero ver os ponteiros do relógio
avançando em reuniões de “confrontação”, onde
“tiramos fatos a limpo”.
Detesto fazer acareação de desafetos que
brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do
coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que
afirmou: “as pessoas não debatem conteúdos, apenas
rótulos”.
Meu tempo tornou-se escasso para debater
rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao
lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de
seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se
considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados e
deseja tão somente andar ao lado de Deus.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes,
nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida
valer a pena.
(Texto atribuído a Rubens Alves. Disponível em:
https://correiodoestado.com.br/opiniao/o-tempo-e-as-jabuticabas/432931
A oração “Já não tenho tempo [...]” inicia 4 parágrafos
do texto “O tempo e as jabuticabas”, o que se pode
afirmar tratar-se da figura de linguagem denominada
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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