A gradação é um recurso de linguagem caracterizado pela expo...

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Q593456 Português
Leia a crônica “Beijos", de Ivan Angelo, para responder à questão.

   Beijo era coisa mágica. A bela beijava o sapo e ele virava príncipe. O príncipe beijava a Branca de Neve e ela acordava de seu sono enfeitiçado. A mãe beijava o machucado dos filhos e a dor sumia. O mocinho beijava a mocinha e o filme acabava em final feliz.
   Muitas gerações – não faz tanto tempo assim – incorporaram alguma coisa dessa noção de que o beijo tinha uma força poderosa, misteriosa, e lidavam com ele, principalmente com o primeiro, de um modo carregado de expectativas. Uma sensação imersa na ambiguidade: aquilo podia ser uma coisa benfazeja e ao mesmo tempo podia ser pecado. Dado ou recebido era precedido de dúvidas, suores frios, ansiedade, curiosidade e desejo. E o quase melhor de tudo: era secreto, escondido. Só a melhor amiga ficava sabendo; irmãos, nem pensar; pai, mãe – jamais.
   Os jovens chegavam ao beijo após uma paciente escalada de resistências e manobras envolventes. “Já beijou?" – queriam saber as amigas dela, como quem diz: “capitulou"?; e perguntavam os amigos dele, espírito corporativo, com o sentido de: “venceu a batalha?" Como resultante desse clima, surgiu um atalho, verdadeiro ataque de guerrilha: o beijo roubado.
   Hoje tudo isso não tem mais sentido. Uma antiga marchinha de Carnaval dizia: “A Lua se escondeu, o guarda bobeou, eu taquei um beijo nela e ela quase desmaiou". A emoção era tanta que as moças desfaleciam. Já não é o caso.
   Por quê? Perdeu o segredo. Beija-se por toda parte, e em público. A meninada “fica" nas festas e “ficar" é beijar à vontade, até desconhecidos. 
   Isso é bom ou é ruim? Não cabe a pergunta. É como se perguntassem se a evolução das espécies é boa ou não. Cada geração vive seu momento com tudo a que tem direito. Mas existe uma diferença tênue entre naturalidade e exibicionismo. Neste, o estímulo é o olhar dos outros. Cada um sabe qual é a sua.
   Representar variantes e significados do beijo é arte que tem milênios. Uma escultura de Rodin, representando o beijo amoroso de um par desnudo, é apreciada até pelos pudicos. Na época dele era ousada. Hoje...
   No Dia dos Namorados fui passear na internet à procura de curiosidades sobre a data. Encontrei uma pesquisa mostrando que o beijo é a carícia preferida pelos brasileiros. A informação, de certa forma, derrubou meus temores. Nada, nem a facilidade, abala o prestígio mágico do beijo.

(Veja SP, 18.06.2003. Adaptado)
A gradação é um recurso de linguagem caracterizado pela exposição de ideias por meio de uma sequência de palavras ou expressões, cuja progressividade pode dar maior ou menor intensidade à situação narrada.
Na crônica, um exemplo de gradação encontra-se no trecho:
Alternativas

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TEMA CENTRAL: A questão aborda a interpretação de texto, focando na identificação da figura de linguagem chamada gradação. Esse conceito é fundamental em provas de Língua Portuguesa, especialmente no contexto de compreensão de textos e reconhecimento das estratégias de construção textual utilizadas pelos autores.

CONCEITO DE GRADAÇÃO: De acordo com gramáticos como Bechara e Cunha & Cintra, gradação é uma figura de linguagem que apresenta uma sequência de ideias organizadas progressivamente, seja em ordem crescente (clímax) ou decrescente (anticlímax), para intensificar ou suavizar o sentido da mensagem.
Exemplo: "Ela sussurrou, falou, gritou." (ordem crescente de intensidade)

ALTERNATIVA CORRETA – B:
“Só a melhor amiga ficava sabendo; irmãos, nem pensar; pai, mãe – jamais.”

Esse trecho demonstra claramente a gradação, pois há uma progressão na restrição de confidencialidade:
primeiro, a melhor amiga pode saber; depois, os irmãos já não podem (nem pensar); por fim, para pai e mãe, é jamais. A ordem vai desde uma liberdade menor para contar até uma proibição máxima, intensificando a ideia de segredo sobre o beijo.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:

A) Apresenta antítese: “benfazeja” × “pecado” (oposição, não sequência).

C) Mostra metáfora (“beijo roubado” como ataque de guerrilha), sem progressão.
D) Outra antítese: “naturalidade” × “exibicionismo”.
E) Apenas afirmação direta, sem gradação.

ESTRATÉGIA PARA QUESTÕES SEMELHANTES: Ao buscar gradação, atente-se a sequências ordenadas de palavras ou expressões que indicam aumento ou diminuição de intensidade. Fique atento a alternativas que tragam apenas contrastes (antítese) ou comparações diretas (metáfora): elas não representam gradação.

Resumo da regra: “Gradação” é a soma progressiva de ideias organizadas, sempre em ordem crescente ou decrescente. Saber reconhecê-la é diferencial nas provas!

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Gradação

  Consiste em dispor as ideias por meio de palavras, sinônimas ou não, em ordem crescente ou decrescente. Quando a progressão é ascendente, temos o clímax; quando é descendente, o anticlímax. Observe este exemplo:

Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana com seus olhos claros e brincalhões...

O objetivo do narrador é mostrar a expressividade dos olhos de Joana. Para chegar a esse detalhe, ele se refere ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e seus olhos. Nota-se que o pensamento foi expresso em ordem decrescente de intensidade. Outros exemplos:

"Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor". (Olavo Bilac)
"O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se." (Padre Antônio Vieira)
http://www.soportugues.com.br/secoes/estil/estil7.php


Alt: B

Gabarito letra B: 

Só a melhor amiga ficava sabendo; irmãos, nem pensar; pai, mãe – jamais.

Perceba que na frase ocorre uma gradação progressiva, ou seja, há uma sequência de palavras intensificando progressivamente a ideia da frase.

Não consegui ver graduação clara na B.

Gradação
Enumeração que denota crescimento ou diminuição (clímax ou anticlímax).
– É um pássaro, é um avião, não... é o super-homem.
– O primeiro milhão possuído excita, acirra, assanha a gula do milionário.
– O amor é esfuziante, grande, perturbador, uma tragédia.

 

 

Gabarito B /Pestana (2012)

Só a melhor amiga ficava sabendo; irmãos, nem pensar;(intensidade maior) pai, mãe – jamais(intensidade ainda maior).

 

GAB. LETRA B

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