No 1o parágrafo, ao considerar que a morte parece ainda mais...

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Q2730182 Português

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 5, considere o texto abaixo.


Criadores e legados


Dando alguns como aceitável que a nossa vida possa ser considerada um absurdo, já que ela existe para culminar na morte, parece-lhes ainda mais absurda quando se considera o caso dos grandes criadores, dos artistas, dos pensadores. Eles empregam tanta energia e tempo para reconhecer, formular e articular linguagens e ideias, tanto esforço para criar ou desafiar teorias e correntes do pensamento, é-lhes sempre tão custoso edificar qualquer coisa a partir da solidez de uma base e com vistas a alguma projeção no espaço e no tempo – que a morte parece surgir como o mais injusto e absurdo desmoronamento para quem justamente mais se aplicou na engenharia de toda uma vida.

Por outro lado, pode-se ponderar melhor: se o legado é grande, e não morre tão cedo, a desaparição de quem o construiu em nada reduz a atualização de sentido do que foi deixado. O criador não testemunhará o desfrute, mas quem recolher seu legado reconhecerá nele a força de um sujeito, de uma autoria confortadora para quantos que se beneficiam da obra deixada, e que dela assim compartilham. Sem sombra de rancor, uma sonata de Beethoven modula-se no dedilhar de uma sucessão de pianistas e por gerações de ouvintes, a cada vez que é interpretada e renovada. Na onda ecoante, no papel, no celuloide, no marfim, no mármore, no barro, no metal, na voz das palavras, é o tempo da vida e da arte, não o da morte, que se celebra no Feito.

O legado teimoso das obras consumadas parece contar com o fundamento mesmo da morte para reafirmar a cada dia o tempo que lhes é próprio. Essa é a sua riqueza e o seu desafio. Sempre alguém poderá dizer, na voz do poeta Manuel Bandeira: “ tenho o fogo das constelações extintas há milênios”, ecoando tanto uma verdade da astrofísica como a poesia imensa do nosso grande lírico.

(Justino de Azevedo, inédito)

No 1o parágrafo, ao considerar que a morte parece ainda mais absurda quando se considera o caso dos grandes criadores, dos artistas, dos pensadores, o autor justifica-se admitindo que

Alternativas

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Tema central: Interpretação de textos e análise de coerência textual são fundamentais para resolver esta questão. Aqui, é essencial compreender a ideia principal e identificar como ela é desenvolvida, além de discriminar informações explícitas e implícitas no texto, conforme preconizam gramáticos como Evanildo Bechara.

Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa D — “toda a energia dispensada nas custosas elaborações do pensamento parece resultar sem bonificação e sem sentido” — é a escolha certa porque, ao analisar o 1o parágrafo, percebe-se que o autor, ao refletir sobre a morte dos grandes criadores, ressalta o contraste entre o esforço ingente do indivíduo e a aparente falta de recompensa (“a morte parece surgir como o mais injusto e absurdo desmoronamento”). Ou seja, toda essa dedicação parece não ter compensação final, reforçando a sensação de absurdo. Este é o ponto central de coerência e sentido da questão.

Por que as alternativas estão erradas?

  • A) Fala de falta de respeito em vida, que o texto não aborda. O foco está no sentido do esforço, não no reconhecimento em vida.
  • B) Menciona esquecimento rápido pelo público, mas o trecho não sugere isso. Trata-se do sentido da obra diante da morte do autor.
  • C) Supõe que as grandes obras deveriam consolar o criador, ideia não desenvolvida no texto.
  • E) Cita que o prazer do sucesso é menor do que gostariam, informação ausente; o texto trata do sentido maior da obra frente à morte, não da satisfação pelo sucesso.

Estratégias para acertar: Utilize sempre a análise dos elementos centrais do enunciado (palavras-chave, expressões de valor, conclusivos). Atenção para não ser induzido por alternativas com informações não textuais (“pegadinhas”). Domine a leitura contextual, com foco na coerência das ideias apresentadas.

Gramáticos como Celso Cunha & Lindley Cintra reforçam que a interpretação apropriada envolve reconhecer os mecanismos lógicos e semânticos que articulam o texto (coesão e coerência).

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