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Gabarito comentado
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Tema central: fraturas e luxações da pelve/acetábulo, seus mecanismos, instabilidade e complicações frequentes. Entender a anatomia do anel pélvico e a vascularização da cabeça femoral é essencial para acertar questões.
Gabarito: D — Infecção, ossificação heterotópica, lesão do nervo isquiático e necrose da cabeça femoral são complicações reconhecidas das fraturas do acetábulo, especialmente quando associadas a luxação do quadril ou fraturas da parede posterior. Há risco de:
- Lesão do nervo isquiático (até 10–20% em fraturas da parede posterior/luxações posteriores).
- Necrose avascular (NAV) da cabeça femoral, principalmente se a redução da luxação do quadril atrasar >6 horas.
- Infecção pós-operatória em abordagens extensas.
- Ossificação heterotópica após cirurgias periacetabulares (prevenção: indometacina ou radioterapia em casos selecionados).
Análise das alternativas incorretas
A) Falsa. No trauma pélvico raramente há lesão “apenas óssea”. A estabilidade do anel pélvico depende de ligamentos (sacroilíacos, sacrotuberosos, sacroespinhosos, sínfise púbica). Lesões por compressão ântero-posterior (APC) e cisalhamento vertical rompem estruturas capsuloligamentares e geram instabilidade. Dizer que não há comprometimento capsuloligamentar é conceitualmente incorreto. (Tile/AO, ATLS)
B) Falsa. Luxações do quadril e fraturas do acetábulo, especialmente luxações posteriores com fratura da parede posterior, ameaçam a vascularização da cabeça femoral (ramos retinaculares da artéria circunflexa femoral medial). Atraso na redução aumenta o risco de NAV. Portanto, há sim risco vascular significativo. (UpToDate; Letournel)
C) Falsa. Não existe “único mecanismo”. Além da compressão AP (“open-book”), compressão lateral (LC) e cisalhamento vertical também causam fratura-luxação da pelve/sacroilíaca e instabilidade. A assertiva absolutiza um mecanismo e ignora outros padrões frequentes. (AO/OTA, ATLS)
Dicas de prova e raciocínio
- Desconfie de termos absolutos: “apenas”, “único”, “não há risco”.
- Em luxação do quadril: reduzir urgentemente (idealmente < 6 h) para diminuir NAV; solicitar TC para avaliar fratura acetabular e corpos livres.
- Complicações a lembrar em acetábulo: HO, infecção, lesão do ciático, NAV; profilaxia de HO e tromboprofilaxia são condutas comuns no pós-operatório.
Fontes de referência: UpToDate (Acetabular fractures; Traumatic hip dislocation), Letournel & Judet, AO/OTA Classification, ATLS/ACS.
Conclusão: A alternativa D reúne as complicações clássicas e bem documentadas das fraturas do acetábulo, alinhada às principais diretrizes e textos de referência.
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