No segundo verso, da segunda estrofe, temos uma figura de l...
Leia o texto a seguir e responda a questão.
Texto 4
Na hora do lobo
Quando um homem consome a madrugada
rabiscando umas folhas de papel
e ele sabe que a vida é tonelada
oscilando na ponta de um cordel;
ele sabe que o fim de toda estrada
não desagua no inferno nem no céu,
e ele pensa na feira, na empregada,
água e luz, condomínio e aluguel;
quando um homem fatiga a voz cansada
com palavras da Torre de Babel
e ele entende que a coisa mais amada
se transmuda na coisa mais cruel;
quando a taça em que bebe está quebrada,
tanto vidro a boiar em tanto fel
e no peito uma dor desatinada
essa dor que é tão nítida e fiel;
quando um homem de boca tão calada
sente a mente girar num carrossel,
ele escreve através da madrugada
com cuidados de abelha que faz mel:
sua vida, talvez, foi destinada
a salvar estas folhas de papel.
Braulio Tavares, O homem artificial.
Gabarito comentado
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Tema central: Figuras de linguagem, especificamente o paradoxo, recurso textual muito cobrado em provas de interpretação para concursos de nível médio e superior, como o de Assistente Social.
Justificativa da alternativa correta (B) Paradoxo):
No segundo verso da segunda estrofe, encontramos: “não desagua no inferno nem no céu”. Observe que a frase une dois destinos após a vida (inferno e céu), tradicionalmente vistos como opostos absolutos. Porém, o autor nega ambos como possível destino, criando uma situação aparentemente contraditória. Paradoxo é justamente a figura em que ideias opostas (que à primeira vista se excluem) se unem numa mesma frase, revelando uma verdade mais profunda ou crítica.
Segundo as gramáticas consagradas (Cunha & Cintra, Bechara), o paradoxo se caracteriza por: “aproximação de ideias incompatíveis na aparência, que, refletidas, podem coexistir”. Aqui, a ausência de destino (não inferno, não céu) desafia a lógica tradicional, revelando reflexão sobre o sentido da vida ou de seu fim.
Análise das alternativas incorretas:
A) Metonímia: Substituição de um termo por outro com proximidade real ou conceitual (ex: “beber um copo d’água” [em vez de “beber a água do copo”]). Nada disso ocorre neste verso.
C) Hipérbole: Exagero expressivo (ex: “morri de rir”). Também não está presente, pois o trecho não intensifica, mas contradiz.
D) Catacrese: Uso de palavra fora do seu sentido original por falta de termo próprio (ex: “pé da mesa”). O verso analisado não é exemplo disso.
E) Prosopopeia: Atribuição de características humanas a seres inanimados (ex: “o vento sussurra”). No trecho, não há essa personificação.
Estratégia de prova: Sempre identifique se a relação é apenas de oposição (antítese) ou se há fusão contraditória das ideias (paradoxo). Leia o trecho com atenção ao sentido global e desconfie sempre de alternativas com nomes parecidos (pegadinha comum em concursos).
Resumo:
A alternativa correta é B) Paradoxo, pois o verso une ideias opostas e contraditórias, compondo a figura de linguagem exigida pelas gramáticas normativas.
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Comentários
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Paradoxo
"não desagua no inferno nem no céu" = CONTRADITÓRIO
- Paradoxo
Alternativa A
Obs: Poderia ser antítese devido "céu" e "inferno" MAS não tem essa alternativa. Então vai mais próxima.
Hipérbole:
Exagero intencional para dar ênfase. Ex: "Estou morrendo de fome."
Eufemismo:
Atenuação de uma ideia desagradável. Ex: "Ele partiu desta para melhor." (em vez de morreu)
Metonímia:
Substituição de um termo por outro com o qual tem alguma relação. Ex: "Li Machado de Assis." (o autor pela obra)
Catacrese:
Uso figurado de uma palavra para nomear algo que não tem um termo específico. Ex: "O pé da mesa.
Paradoxo:
Afirmação que parece contraditória, mas que pode ter um sentido mais profundo. Ex: "Quanto mais nos perdemos, mais nos encontramos."
Personificação (ou Prosopopeia):
Atribuição de características humanas a seres inanimados ou animais. Ex: "O vento soprava tristemente."
tá meio zuada essa configuração do texto na página
Seria paradoxo se ele estivesse desaguando um inferno no céu. não há paradoxo. não há uma ação impossível, apenas exclusão, não va para um nem outro.
Quando a única intenção é confundir, o examinador esquece a formalidade do português.
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