Em relação às fraturas e luxações que acomete os ossos do m...
( ) Há sempre uma proporção entre o grau de energia envolvida na fratura e o dano de partes moles, de tal maneira que um trauma de menor intensidade em geral produz uma fratura fechada com menor dano de partes moles, caracteristicamente provocando fraturas no jovem. Já a fratura no idoso é com frequência exposta e cominutiva, sendo causada por trauma de alta energia cinética, com grande lesão de partes moles.
( ) Na fratura de tornozelo, por se tratar de uma fratura articular, a reconstituição da anatomia, para permitir a mobilização precoce, é fundamental, sendo em geral conseguida cirurgicamente com o princípio da fixação rígida.
( ) O pé, a cada dia, torna-se mais vulnerável a traumatismos, principalmente com o aumento da velocidade dos meios de transporte (automóveis, motocicletas, etc.), em acidentes de trabalho (construção civil, atividade agrícola), com destaque para os traumas de alta energia, o que pode produzir lesões graves.
( ) As fraturas do Tálus podem ser divididas de acordo com o sítio anatômico (as do colo são as mais comuns), estando na maioria das vezes, associadas com luxação do corpo do tálus. As fraturas da cabeça são menos comuns e as do corpo são, em geral, cominutivas.
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Gabarito comentado: Alternativa D (F – V – V – V)
Tema central: princípios de trauma ortopédico no membro inferior: relação energia x partes moles, fraturas articulares do tornozelo, epidemiologia do trauma do pé e características das fraturas do tálus.
Comentário por itens
1) Energia do trauma x partes moles → Falso. Embora maior energia tenda a causar maior dano de partes moles e mais fraturas expostas, não é “sempre”. Idosos costumam fraturar por baixa energia (osteoporose), em geral com fraturas fechadas (ex.: colo do fêmur). Já fraturas expostas e cominutivas são mais frequentes em alta energia típica de pacientes jovens. A palavra “sempre” é a armadilha. (Referências: Rockwood & Green’s Fractures; AO Principles of Fracture Management)
2) Fratura de tornozelo (articular) e redução anatômica → Verdadeiro. Sendo intra-articular, a restituição anatômica e a estabilidade rígida favorecem mobilização precoce e reduzem artrose pós-traumática. Na maioria dos casos instáveis, faz-se ORIF (fixação interna). Exceção: fraturas estáveis e não desviadas podem ser tratadas conservadoramente. (UpToDate; Diretrizes OTA/SBOT)
3) Vulnerabilidade do pé a traumas de alta energia → Verdadeiro. A maior velocidade dos transportes e acidentes ocupacionais aumentam traumas de alta energia, gerando lesões complexas do pé (calcâneo, Lisfranc, esmagamentos), com alto risco de dano de partes moles. (OTA; UpToDate)
4) Fraturas do tálus por sítio; colo mais comum; associações → Verdadeiro. Classificação anatômica: colo é o mais acometido e frequentemente se associa à luxação do corpo do tálus (tíbio-talar/subtalar). Cabeça é menos comum; fraturas do corpo tendem a ser cominutivas. Atenção à necrose avascular nas do colo (Hawkins). (Rockwood & Green; UpToDate)
Por que a alternativa D é a correta? Ela apresenta a sequência F – V – V – V, exatamente como justificado acima.
Análise das alternativas incorretas
A (V – V – F – V): erra o 1º item (não é V) e o 3º item (é V, não F).
B (F – V – V – F): erra o 4º item (é V, não F).
C (V – F – V – V): erra o 1º item (é F, não V) e o 2º item (é V, não F).
Dica de prova: desconfie de termos absolutos como “sempre” e “nunca”. Em fraturas articulares (tornozelo), priorize redução anatômica e estabilidade para prevenir artrose.
Referências essenciais: Rockwood & Green’s Fractures in Adults; AO Principles of Fracture Management; UpToDate (Ankle fractures; Talus fractures); OTA Core Curriculum; materiais SBOT.
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