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Q3410439 Medicina
A _________________ caracteriza-se pelo enfraquecimento na camada hipertrófica da placa fisária, levando ao deslocamento da cabeça com relação ao colo femoral. O conceito atual é que a epífise femoral mantém sua relação normal com o acetábulo, por meio do ligamento redondo. O desvio do colo do fêmur ocorre para superior e anterior e, ao se considerar o desvio da epífise, este se dá para posterior. Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna do enunciado.
Alternativas

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Tema central: A questão descreve a Epifisiólise/ Escorregamento Epifisário Proximal do Fêmur (SCFE), quadro em que há falha mecânica na zona hipertrófica da placa fisária, permitindo o “escorregamento” do colo femoral para anterior e superior, enquanto a epífise aparenta migrar posteriormente (na verdade, a epífise permanece alinhada ao acetábulo pelo ligamento redondo). Esse detalhe é a “pegadinha” clássica.

Alternativa correta: C – Epifisiólise/SCFE

Justificativa: O enunciado cita a fraqueza da camada hipertrófica da fise, o alinhamento da epífise ao acetábulo e o desvio relativo posterior da epífise — definições típicas de SCFE. Ocorre em pré/púberes, mais em meninos e obesos, podendo associar-se a endocrinopatias (hipotireoidismo, deficiência de GH). Referências: UpToDate; Rockwood & Wilkins; POSNA.

Clínica e diagnóstico (como pensar na prova):

  • Dor em quadril/virilha ou referida no joelho, claudicação.
  • Limitação da rotação interna; sinal de Drehmann (rotação externa ao flexionar o quadril).
  • Radiografias: AP de bacia e perfil em rã. Linha de Klein que não intercepta a epífise; mede-se o ângulo de Southwick. Classificação de Loder (estável vs instável).

Conduta de escolha: Fixação in situ com parafuso canulado, sem tentar redução forçada; urgente nos casos instáveis (risco de necrose avascular). Sem carga até fixação. Considerar fixação profilática contralateral em alto risco (idade baixa, obesidade, endocrinopatia). Investigar endocrinopatias. Diretrizes: SBOT/POSNA/UpToDate.

Por que as outras estão erradas?

A) Sinovite da anca (transitória): inflamação autolimitada pós-viral (3–8 anos), dor/claudicação, sinais leves, sem febre alta nem alteração laboratorial importante. Não há falha fisária nem escorregamento. Tratamento conservador (AINE/repouso). Não condiz com o mecanismo descrito.

B) Doença de Legg-Calvé-Perthes: necrose avascular idiopática da cabeça femoral, típica de 4–8 anos. O problema é ósseo epifisário, não fisar. Radiografia mostra colapso/fragmentação, não alinhamento fixo da epífise com “escorregamento” do colo. Conduta envolve contenção e, por vezes, cirurgia, mas a fisiopatologia não corresponde.

D) Artrite séptica da anca: quadro agudo, febre, dor intensa, incapacidade de deambular, sinais inflamatórios elevados (critérios de Kocher) e necessidade de drenagem cirúrgica urgente + antibiótico. Não envolve a placa fisária nem descreve desvio colo/epífise.

Estratégia de prova: Diante de “fraqueza da fise”, “epífise presa ao acetábulo” e “colo que escorrega”, pense em SCFE. Lembre a imagem mental “sorvete escorregando do cone”. Solicite sempre perfil em rã e evite manipular o quadril até a fixação.

Referências: UpToDate (Slipped Capital Femoral Epiphysis), Rockwood & Wilkins’ Fractures in Children, POSNA/SBOT recomendações.

Gabarito: C

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