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Q4177796 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.
O caos da eterna crise

    Há algo de profundamente cansativo em viver num tempo que nunca se resolve. Como se a humanidade tivesse entrado num corredor sem janelas, onde cada porta aberta leva apenas a outro problema mais complexo, mais barulhento, mais urgente. E a palavra “crise”, que antes indicava um ponto fora da curva, hoje parece ser o próprio traçado da linha. 

    De longe, lá do espaço, a Terra ainda é bonita. Azul, silenciosa, quase serena. Mas essa imagem não nos pertence mais. Aqui embaixo, o planeta é outro: fragmentado, tenso, inquieto. A sensação cotidiana é de estar sempre à beira de um colapso econômico, de uma ruptura institucional, de um novo conflito armado, de uma tragédia anunciada que se confirma antes mesmo de ser compreendida. 

    Não é só o volume de problemas. É a frequência. Não há intervalo. Quando uma crise começa a perder força, outra já tomou o seu lugar, como se o mundo tivesse desaprendido a respirar. Vivemos em estado de alerta permanente, anestesiados pela repetição do absurdo. E talvez esse seja o maior perigo: não o caos em si, mas a adaptação a ele.

    Há uma exaustão silenciosa que atravessa as pessoas. O cidadão comum acorda, trabalha, paga contas, tenta manter alguma sanidade enquanto assiste, quase como espectador, ao desenrolar de decisões que afetam tudo, mas que parecem sempre distantes do seu alcance. 

   E então surge a pergunta incômoda, quase inevitável: onde foi que erramos? Em que momento aceitamos que viver assim era normal? Talvez não haja uma resposta única. Talvez o erro seja coletivo, diluído em pequenas escolhas, omissões, indiferenças acumuladas ao longo do tempo.

   O fato é que seguimos. Entre uma manchete e outra, entre o medo e a esperança, tentando encontrar algum sentido no meio do ruído.  

    Eu acreditei durante a pandemia que sairíamos diferente daquela experiência global de medo. Achei, na minha inocência, que passaríamos a compreender mais uns aos outros. 

    Até quando vamos tratar o caos como rotina? Porque uma crise sem fim deixa de ser exceção. E passa a ser, perigosamente, o nosso jeito de existir. 

Autor: Marco Matos – GZH (adaptado). 
Considerando a separação silábica e a localização da sílaba tônica de palavras retiradas do texto, assinale a alternativa correta. 
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