Os conhecimentos populares tradicionais sobre a biodiversid...
Gabarito comentado
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Tema central: Como acessar, de forma científica, os saberes tradicionais sobre plantas para orientar a descoberta de novos medicamentos. Em Farmacognosia, a abordagem que integra uso popular, preparo, indicações e validação farmacológica é a Etnofarmacologia.
Alternativa correta: C — Etnofarmacológica
É a abordagem multidisciplinar que documenta o uso tradicional (entrevistas, observação participante, protocolos de preparo/dose) e, em seguida, realiza triagem farmacológica e química para verificar atividade terapêutica e segurança. Essa estratégia tem alto rendimento para prospecção racional de fármacos porque parte de indícios culturais consistentes. Exemplos clássicos incluem a artemisinina (Artemisia annua) inspirada na Medicina Tradicional Chinesa. Referências: WHO Traditional Medicine Strategy 2014–2023; Heinrich M. Journal of Ethnopharmacology; Trease & Evans’ Pharmacognosy; diretrizes EMA/HMPC para fitoterápicos.
Como identificar na prova: Expressões como “conhecimentos populares”, “uso tradicional”, “potenciais efeitos terapêuticos” apontam para Etnofarmacologia. Busque a opção que une documentação cultural + validação científica. Evite confundir com termos parecidos (p.ex., “etológica”).
Por que as demais estão incorretas?
A — Randômica: Refere-se à triagem aleatória de espécies/compostos sem direcionamento cultural. Embora útil em “high-throughput screening”, não acessa informações de uso popular e é menos eficiente para valorizar saberes tradicionais. Em Farmacognosia moderna, a triagem guiada por evidência etnobotânica/etnofarmacológica é preferível (WHO; Heinrich).
B — Etológica: Estudo do comportamento animal. Pode existir “zoofarmacognosia” (animais usando plantas), mas não é a via padrão para levantar uso humano tradicional nem para orientar diretamente o desenvolvimento de medicamentos em contexto comunitário.
D — Filogenética: Usa relações evolutivas para predizer metabólitos e priorizar grupos taxonômicos com compostos bioativos (há “sinal filogenético” para certos metabólitos). É valiosa na bioprospecção, mas não acessa o uso popular nem descreve práticas, doses e indicações de comunidades. Portanto, é complementar, não substitutiva da etnofarmacologia.
Dica de prova: Se o enunciado enfatiza “preservação de saberes” e “subsídio para novos medicamentos”, escolha a abordagem que começa no conhecimento tradicional e termina na validação — isto é, Etnofarmacológica.
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