Um paciente que tenha tomado doses excessivas de analgésico...
Gabarito comentado
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Tema central: intoxicação por opioides com depressão respiratória. A conduta envolve ABC e uso de um antagonista competitivo dos receptores opioides para reverter rapidamente a hipoventilação.
Alternativa correta (C) — Naloxona: a naloxona é um antagonista competitivo puro (principalmente em receptores μ) que reverte rapidamente a depressão respiratória, miose e sedação. Início de ação em 1–2 min (IV) e 3–5 min (IM/IN). Doses usuais: 0,04–0,1 mg IV, titulando até 0,4–2 mg conforme ventilação; IM/IN 2–4 mg, podendo repetir a cada 2–3 min. Em opioides de longa ação (p.ex., metadona), considerar infusão contínua após resposta inicial. Vigiar “renarcotização” pois a meia-vida da naloxona é menor que a de muitos opioides. Evidências e diretrizes: AHA/ILCOR (emergências associadas a opioides), UpToDate e Harrison’s.
Conduta prática resumida: garantir via aérea e ventilação (bolsa-válvula-máscara se necessário), monitorização, oximetria e capnografia quando disponível. Administrar naloxona titulando para recuperar ventilação adequada, não necessariamente vigília plena, para reduzir risco de abstinência aguda. Observar por várias horas e repetir doses se necessário. (AHA 2020–2023; UpToDate).
Por que as demais opções estão incorretas?
A) Metadona: agonista μ de longa duração; não antagoniza opioides, podendo piorar a depressão respiratória. Risco de prolongamento do QT. Indicada em dor crônica e terapia de dependência, não como antídoto.
B) Tramadol: agonista μ fraco + inibidor de recaptação de serotonina/noradrenalina. Não é antagonista; pode causar convulsões e síndrome serotoninérgica, e agravar o quadro.
D) Oxicodona: agonista μ potente; reforça a depressão respiratória. Usada como analgésico, não como antídoto.
Dicas de prova e pegadinhas: a palavra-chave é “antagonista competitivo” para reverter depressão respiratória aguda — pense naloxona. Lembre que naltrexona (não listada) também é antagonista, mas uso oral para manutenção/recidiva, não para reversão imediata. Evite confundir com buprenorfina (agonista parcial, alta afinidade), que pode dificultar reversão e requer doses maiores de naloxona.
Clínica que ajuda a identificar o quadro: tríade clássica — depressão respiratória, miose, rebaixamento do nível de consciência; também bradicardia e hipotermia. Confirmar com boa resposta à naloxona. (Harrison’s; OMS/WHO overdose guidance).
Referências: AHA Guidelines for Opioid-Associated Emergencies; UpToDate: Acute opioid intoxication; Harrison’s Principles of Internal Medicine; WHO guideline on community management of opioid overdose.
Gabarito: C) Naloxona.
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