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Q3699971 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Quando nos desapegamos da necessidade de parecer, abrimos espaço para simplesmente ser

    Um novo amanhecer significa que teremos muitas oportunidades pela frente... O foco nas oportunidades permite que a vida seja vivida com entusiasmo e com intensidade... Estamos sempre tentando harmonizar o nosso eu interior para experimentar a profundidade da paz... Viver é bom demais...
    Ser autêntico consigo mesmo é o princípio gerador da identidade. Não posso ter dúvidas ao responder a questão existencial: ‘quem eu sou?’ O que os outros pensam da gente não pode ser totalmente desconsiderado, mas nem valorizado demais. Mas, grande parte do sofrimento humano nasce da distância entre o que somos de fato e a imagem que criamos de nós mesmos.
    Passamos muito tempo tentando sustentar personagens, adequar gestos e palavras às expectativas externas, caber em moldes que não nos representam. Essa busca por aceitação constrói uma identidade frágil, feita de aparências, que pode até conquistar aplausos, mas não sustenta a alma. Acordar para quem realmente somos é um processo de desapego, de coragem para deixar para trás as fantasias que nos aprisionam.
    Não se trata de rejeitar os sonhos, mas de abandonar ilusões que distorcem nossa essência. Esse despertar é exigente, porque mexe com seguranças e desconstrói imagens cuidadosamente construídas. É como despir-se diante de si mesmo, aceitar contradições e reconhecer limites. No entanto, esse processo liberta. Quando nos desapegamos da necessidade de parecer, abrimos espaço para simplesmente ser.
    Descobrimos que a autenticidade é mais leve do que a máscara e que a verdade, por mais desafiadora, é sempre mais pacífica do que a mentira. A vida ganha cor nova quando paramos de nos forçar a ser quem não somos. Os relacionamentos se tornam mais honestos, o trabalho mais significativo, a existência mais inteira. Esse despertar não acontece de uma vez só, mas em camadas. A cada passo, deixamos cair um pouco das ilusões que carregávamos. É um processo contínuo de desapego e reencontro.
    O mais bonito é que, quando acordamos para nossa essência, percebemos que não precisamos de muito para sermos felizes. O simples passa a ter valor, o ordinário se revela extraordinário, e a vida encontra um ritmo mais verdadeiro. O convite diário é esse: abrir mão das imagens que nos sufocam para deixar florescer a beleza daquilo que já somos.

Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado). 
Assinale a alternativa INCORRETA quanto à localização da sílaba tônica nas palavras retiradas do texto. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema da questão: Fonologia (localização da sílaba tônica e classificação das palavras em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas).

Estratégia para resolver: conte as sílabas a partir do fim da palavra e localize a sílaba tônica. Depois, classifique:

  • Oxítonas: última sílaba tônica.
  • Paroxítonas: penúltima sílaba tônica.
  • Proparoxítonas: antepenúltima sílaba tônica (todas levam acento gráfico).

Dica rápida: o acento gráfico ajuda, mas a classe depende da posição da tônica, não do número de sílabas nem apenas da presença de acento.

Regra normativa: De acordo com a Gramática Normativa (Bechara; Cunha & Cintra) e com o VOLP/ABL, a classificação tônica segue a posição da sílaba acentuada. Além disso, todas as proparoxítonas são obrigatoriamente acentuadas; muitas paroxítonas só recebem acento em terminações específicas (ex.: l, n, r, x, um/uns, us, i(s), u(s), ditongos), como em frágil.

Gabarito (INCORRETA): Alternativa C.

Por que a C está incorreta?

Em frágil, a sílaba tônica é frá: frá-gil. Contando do fim: gil (1), frá (2). Logo, a tônica é a penúltima, o que classifica a palavra como paroxítona, e não proparoxítona. Ela recebe acento por ser paroxítona terminada em “l” (regra de acentuação das paroxítonas). Portanto, afirmar que é proparoxítona está errado.

Análise das demais alternativas (corretas quanto à classificação):

A) “desapego”: de-sa-PE-go. A tônica é pe (penúltima). Palavra paroxítona. Correto.

B) “carregávamos”: car-re--va-mos. A tônica é . Contando do fim: mos (1), va (2), (3). Tônica na antepenúltima sílaba: palavra proparoxítona. Correto. (No VOLP, grafia: “carregávamos”.)

D) “dúvidas”: -vi-das. A tônica é . Contando do fim: das (1), vi (2), (3). Tônica na antepenúltima sílaba: palavra proparoxítona. Correto.

Pegadinhas comuns e como evitar:

  • Palavras dissílabas como frágil não podem ser proparoxítonas (não existe “antepenúltima” sílaba em dissílabos). Conte sempre a partir do fim.
  • O acento não define a classe sozinho: ele indica a sílaba tônica, mas a classificação depende da posição dessa sílaba.
  • Todas as proparoxítonas têm acento; muitas paroxítonas só são acentuadas por terminações previstas na norma (ex.: frágil pelo final “l”).

Exemplos para fixar: pa-RA-gra-fo (paroxítona); -si-ca (proparoxítona); ca-fé (oxítona).

Referências: Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Celso Cunha & Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo; VOLP/ABL para grafias oficiais.

Conclusão: a alternativa C é a única que apresenta classificação tônica incorreta.

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