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Q689504 Economia

     No rol dos esquemas transitórios de combate à inflação apareceu o Plano Trienal, como uma heroica tentativa de compatibilização dos dois propósitos subjacentes em toda anterior controvérsia — defesa da taxa de crescimento e atenuação da inflação em um quadro tumultuoso, no qual os acontecimentos cada vez mais tendiam a escapar de qualquer controle pela política econômica.


Carlos Lessa. 15 anos de política econômica. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 134 (com adaptações)

Tendo como referência inicial o fragmento de texto antecedente, julgue (C ou E) o próximo item, a respeito da conjuntura econômica dos anos que precederam a ditadura militar.

Em sua interpretação sobre a crise do período, Celso Furtado, em Subdesenvolvimento e Estagnação na América Latina, associa a perda de dinamismo do crescimento à queda da relação produto-capital dos novos segmentos industriais internalizados no período do Plano de Metas.

Alternativas

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Vamos analisar a questão apresentada e entender por que a alternativa correta é C - certo.

Tema Central: A questão aborda a interpretação de Celso Furtado sobre a crise econômica no período que precedeu a ditadura militar no Brasil, destacando a relação entre o subdesenvolvimento e a estagnação econômica na América Latina. É essencial compreender o contexto histórico e econômico da época, especialmente no que se refere ao Plano de Metas, implementado durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961).

Resumo Teórico: O Plano de Metas foi um programa de desenvolvimento econômico que visava acelerar o crescimento do Brasil por meio da industrialização e da infraestrutura. Um dos conceitos chave abordados por Furtado em Subdesenvolvimento e Estagnação na América Latina é a relação produto-capital, que se refere à eficiência com que o capital é usado para gerar produto econômico. Segundo Furtado, a queda nessa relação foi um fator crucial que levou à perda de dinamismo no crescimento econômico.

Justificativa da Alternativa Correta: A afirmação de que Celso Furtado associa a perda de dinamismo do crescimento à queda da relação produto-capital dos novos segmentos industriais é correta. Furtado argumenta que a industrialização, sem uma correspondente capacidade de inovação e eficiência, não foi suficiente para manter o ritmo de crescimento econômico esperado. Este é um ponto central nas suas análises sobre o subdesenvolvimento na América Latina.

Análise das Alternativas Incorretas: Embora a questão seja do tipo "Certo ou Errado", é importante ressaltar que qualquer outra formulação que não reconheça essa análise de Furtado estaria equivocada. A interpretação correta das teorias de Furtado é fundamental para entender os desafios econômicos do Brasil na época em questão.

Estratégias de Interpretação: Ao abordar questões sobre História Econômica e Economia Contemporânea, especialmente em provas para o cargo de Diplomata, é importante correlacionar autores e suas teorias com eventos históricos específicos. Preste atenção aos detalhes de obras clássicas e busque compreender como diferentes autores interpretam o desenvolvimento econômico e seus desafios.

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Comentários

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"Furtado via capacidade ociosa advinda do Plano de Metas, por isso, busca, no médio prazo, a ampliação da produtividade dos fatores capital/trabalho – forçando o aprofundamento do PSI e ampliando a oferta." (Marcello Bolzan, IDEG)

Gabarito: CERTO

 

"Um dos efeitos da queda desta relação é a produtividade do trabalho. Com efeito, a falta de investimentos estaria levando a uma queda da rpodutividade, a qual não era compensada por uma queda dos salários, conduzindo assim à inflação combinada com recessão."

 

Livro: 1.600 Questões Comentadas

A "queda da relação produto-capital" é um dos grandes desafios do processo de ISI. Significa que, para avançar na industrialização (aumentar o capital), é necessário cada vez mais capital.

Gabarito - Certo

No livro "Subdesenvolvimento e Estagnação na América Latina", Celso Furtado analisa a crise econômica que se desenhava no Brasil no final dos anos 1950 e início dos anos 1960 — período que antecedeu a ditadura militar. Uma das suas principais críticas recai sobre o modelo de desenvolvimento baseado na industrialização via substituição de importações, especialmente durante o governo Juscelino Kubitschek (Plano de Metas).

Furtado argumenta que, embora esse modelo tenha promovido crescimento, ele perdeu dinamismo à medida que setores industriais mais sofisticados e capital-intensivos foram sendo internalizados. Isso levou a uma queda da relação produto-capital, ou seja, diminuição da produtividade dos investimentos: era necessário investir cada vez mais capital para gerar a mesma quantidade de produto (PIB).

Esse diagnóstico está diretamente ligado ao esgotamento do modelo de industrialização sem reformas estruturais, como a agrária, e à crescente dependência externa (de capitais e tecnologia), fatores que alimentaram a crise econômica e social que precedeu o golpe de 1964.

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