No segundo terceto, a construção “Eu, calmo, te direi” é re...

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Q4303746 Literatura
Texto 1


Soneto da hora final


Será assim, amiga: um certo dia,
Estando nós a contemplar o poente,
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente,
E eu te olharei também, com nostalgia,
E partiremos, tontos de poesia,
Para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do Segredo,
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

E como dois antigos namorados,
Noturnamente tristes e enlaçados,
Nós entraremos nos jardins da morte.


    MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

    de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

    Companhia das Letras, 2009. p. 30.

    No segundo terceto, a construção “Eu, calmo, te direi” é retomada paralelamente em “E tu, tranquila, me dirás”. Essa organização sintática contribui para o sentido do poema ao
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