Um paciente de 23 anos, com histórico de cirurgia bariátrica...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3834174 Medicina
Um paciente de 23 anos, com histórico de cirurgia bariátrica (bypass gástrico em Y-de-Roux) há 5 anos, que inicialmente perdeu 70% do excesso de peso, apresenta reganho de peso significativo nos últimos 2 anos, atingindo um IMC de 38 kg/m². Vários parentes com obesidade grave e que já tinham feito cirurgia bariátrica jovem. Ele desenvolveu diabetes tipo 2, hipertensão e esteatose hepática associada a disfunção metabólica (MASLD) com fibrose F2 documentada por elastografia.
Suas avaliações nutricionais e psicológicas indicam adesão parcial às recomendações. Qual a conduta terapêutica mais apropriada neste momento? 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pelas diretrizes AGA 2022 e ASMBS/IFSO 2022, adulto com obesidade recidivada após RYGB, IMC 38 kg/m², DM2, HAS e MASLD com fibrose F2, com resposta apenas parcial às medidas comportamentais, deve receber farmacoterapia antiobesidade associada ao suporte multiprofissional; a cirurgia revisional não é passo automático nem imediato sem avaliação anatômica/funcional e sem abordagem clínica estruturada.

Tema central: Reganho de peso pós-bariátrica
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque reganho de peso após RYGB não indica cirurgia revisional imediata de forma automática. A base afirma que a revisão cirúrgica pode ser considerada, mas depende de avaliação anatômica e funcional, investigação multifatorial do reganho e discussão individualizada, além de ser procedimento mais complexo que a cirurgia primária. O erro da alternativa é antecipar reoperação sem abordagem clínica estruturada e sem dados anatômicos no enunciado.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque o quadro reúne indicação de tratamento farmacológico antiobesidade de alta eficácia: reganho ponderal importante após bypass, IMC ainda em faixa de obesidade, comorbidades metabólicas ativas e adesão apenas parcial às medidas não farmacológicas. A base decisória aponta agonista de GLP-1 em dose terapêutica alvo/tolerada como a estratégia que melhor aborda simultaneamente perda ponderal e controle metabólico, especialmente em DM2 e MASLD. O suporte comportamental deve ser otimizado, mas como tratamento associado, não isolado.
C
Errada
Errada porque propõe apenas intensificar acompanhamento psicológico e nutricional por 6 meses, adiando tratamento efetivo em paciente com obesidade recidivada e comorbidades já estabelecidas, inclusive MASLD com fibrose F2. A base é clara ao dizer que o suporte multiprofissional deve ser mantido e otimizado, mas não como única intervenção quando já houve falha parcial das medidas comportamentais e existe necessidade de redução ponderal clinicamente relevante.
D
Errada
Errada porque metformina pode tratar DM2, mas não é a terapia antiobesidade mais eficaz para o problema central da questão, que é o reganho importante de peso após bariátrica com complicações metabólicas. A base destaca que o efeito da metformina sobre peso é modesto e não compete com agonista de GLP-1 nesse cenário. Além disso, reduzir a conduta a dieta hipocalórica estrita não corrige adequadamente a necessidade de manejo antiobesidade mais potente.
E
Errada
Errada porque a associação proposta não é a opção com melhor racional global diante de obesidade recidivada com DM2 e MASLD. A base também ressalta que o enunciado não confirma transtorno compulsivo alimentar como eixo principal do caso; portanto, priorizar essa combinação com base em hipótese comportamental não demonstrada é inadequado. Entre as opções, agonista de GLP-1 oferece maior eficácia ponderal e melhor alinhamento com as comorbidades metabólicas presentes.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre gravidade do reganho pós-bariátrica e necessidade de reoperação imediata; o ponto correto é que, mesmo com comorbidades importantes, a conduta inicial mais apropriada entre as opções é farmacoterapia antiobesidade eficaz associada ao suporte multiprofissional, e não revisão cirúrgica automática.
Dica para questões semelhantes
  • Em reganho de peso após bariátrica, não transforme revisão cirúrgica em resposta reflexa: primeiro verifique se a questão aponta necessidade de abordagem clínica estruturada e se faltam dados anatômicos.
  • Se houver IMC ainda elevado com DM2, HAS ou doença hepática metabólica e falha parcial de estilo de vida, procure a alternativa com farmacoterapia antiobesidade eficaz associada a suporte comportamental.
  • Suporte nutricional e psicológico é parte do tratamento, mas isoladamente costuma ser insuficiente quando já há obesidade recidivada com complicações ativas.
  • Quando a alternativa focar apenas em tratar DM2 com metformina, confira se o problema central cobrado é diabetes ou obesidade recidivada; aqui o eixo decisivo é obesidade com comorbidades.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo