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Q4156288 Português
 Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.  


As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de quais são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana: a primazia e a abertura de ruas; a circulação livre; os encontros impessoais e anônimos de pedestres; o uso público e espontâneo das ruas e praças; e a presença de pessoas de diferentes grupos sociais passeando e observando os outros que passam, olhando vitrines, fazendo compras, sentando nos cafés, participando de manifestações políticas, apropriando as ruas para seus festivais e comemorações, ou usando os espaços especialmente designados para o lazer das massas. Esses elementos são associados à vida moderna em cidades capitalistas pelo menos desde a reforma de Paris promovida pelo barão de Haussmann na segunda metade do século XIX. No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos. É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar. As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder.

   No entanto, a despeito das persistentes desigualdades e injustiças sociais, as cidades ocidentais modernas sempre mantiveram vários sinais de abertura, sobretudo no que diz respeito à circulação e ao consumo. Esses sinais contribuíram para manter o valor positivo associado à ideia de um espaço público aberto, acessível a todos e a qualquer um.

   As cidades modernas têm servido de cenário para todo tipo de manifestação política. Na verdade, a promessa de incorporação à sociedade moderna incluía não só a cidade e o consumo, mas também a ordem política. As imagens da cidade moderna são análogas àquelas da ordem liberal-democrática, consolidada  a partir da ficção do contrato social entre pessoas livres e iguais e que moldou a esfera política moderna. Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia ser considerado "livre e igual" foram pouco a pouco expandidas. Tanto a cidade aberta e sem exclusões quanto a ordem política incorporando todos os cidadãos como iguais nunca existiram, mas seus ideais fundadores e suas promessas de incorporação mantiveram seu poder por pelo menos dois séculos, dando forma a experiências de cidadania e de vida urbana e legitimando as ações de vários grupos excluídos em suas reivindicações por incorporação.

(Adaptado de: CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34; Edusp, 2011, pp 302 a 305) 
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Alternativas

Comentários

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A palavra associados exige a preposição a.

Pergunte:

Associados a quê?

À vida moderna.

Como há:

  • preposição a (exigida por "associados");
  • artigo a (de "vida");

ocorre a crase:

a + a = à.

CRASE OBRIGATÓRIA:

1.​ Nas locuções adverbiais = à noite, à direita, às vezes, às claras, às pressas…

Chego à noite. / Virou à direita. / Às vezes estudo. / Saiu às pressas.

2.​ Nas locuções prepositivas = à espera de, à procura de, à beira de...

Estou à espera de você. / Mora à beira do rio. / Está à procura de você.

3.​ Nas locuções conjuntivas = à proporção que, à medida que...

4.​ Nas locuções adverbiais de horas, quando não vierem após preposição:

Chegou às 14h da tarde.

5.​ Quando houver a expressão "à moda de”, mesmo que subentendida:

Cortou o cabelo à moda de Ronaldinho.

Cortou o cabelo à Ronaldinho.

6.​ Nas palavras femininas quando forem objeto indireto ou complemento nominal:

Diga à menina que terei obediência à professora. Refiro-me à mulher da sua família.

Crase facultativa --> ATÉ SUA DONA MARIA:

  • Depois da preposição "até";
  • Antes de pronomes possessivos femininos no singular (sua, tua, minha, nossa);
  • Antes de nomes próprios femininos (Maria);
  • Antes de pronome de tratamento (dona, senhora).

Crase proibida:

Antes de palavras masculinas;

Antes de plural (a + plural);

Antes de pronomes;

Antes de verbo;

Antes de artigos indefinidos (um/uma);

Após preposições (para/durante/com/sobre/após/desde...);

Entre palavras repetidas (ficou cara a cara com o ladrão);

Antes de pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles) porque esses pronomes não admitem artigo.

Fonte: Meus flashcards.

1. Gabarito Direto: Alternativa C

​2. O que a FCC quer de você:

A banca está testando três pilares clássicos da crase:

​Você sabe identificar o sujeito da oração? (Sujeito nunca tem crase!).

​Você domina a regência de nomes e verbos? (Quem é "associado", é associado a algo).

​Você entende a regra do paralelismo sintático?

​3. Análise Cirúrgica da Correta (C):

​"Esses elementos são associados à vida moderna..."

A frase está perfeita. A palavra "associados" exige a preposição "a" (quem associa, associa algo a alguma coisa). Em seguida, temos a expressão feminina "vida moderna", que aceita o artigo feminino "a". A junção da preposição com o artigo gera, obrigatoriamente, a crase: a + a = à.

​4. Raio-X das Incorretas (A Caça aos Erros):

​A - "À promessa de incorporação a sociedade moderna incluía não só à cidade e o consumo..."

​Erro 1: "A promessa" é o sujeito do verbo "incluir" (A promessa incluía...). Jamais se usa crase no sujeito! O correto é "A promessa".

​Erro 2: A palavra "incorporação" exige preposição "a", logo deveria haver crase em "à sociedade".

​Erro 3: O verbo "incluía" é transitivo direto (incluía algo). Logo, não há preposição. O correto é "incluía não só a cidade e o consumo".

​B - "Às ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam..."

​Erro letal da FCC: Novamente, a banca coloca crase no sujeito! Quem é que "representa uma das imagens..."? As ruas. O sujeito não pode ser preposicionado, então é proibido usar crase aqui. O correto é "As ruas". (Nota: o trecho "abertas à livre..." está correto, mas o erro no início condena a alternativa).

​D - "Às imagens da cidade moderna são análogas àquelas da ordem..." (Nota: No seu texto saiu "Ås", mas lemos como "Às").

​Erro idêntico ao da B: "As imagens" é o sujeito do verbo "são" (O que são análogas? As imagens). Sujeito não aceita crase. O correto é "As imagens". (O trecho "análogas àquelas" está corretíssimo, mas não salva a frase).

​E - "...sobretudo no que diz respeito a circulação e ao consumo."

​Erro de Paralelismo (A armadilha mais elegante da FCC): A expressão "diz respeito" exige a preposição "a". Observe o que vem depois: "...e ao consumo". A banca usou "ao" (preposição + artigo masculino) para o termo masculino. Pela regra do paralelismo (balança gramatical), o termo feminino anterior precisa ter a mesma estrutura (preposição + artigo feminino). Logo, faltou a crase! O correto é: "diz respeito à circulação e ao consumo".

qual o erro da letra D?

C

  • Quem é associado, é associado A (exige preposição "A").
  • "Vida moderna" é palavra feminina (aceita o artigo "A").
  • Preposição A + Artigo A = À vida moderna (Crase obrigatória e perfeita!).

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