Uma maratonista de elite de 22 anos, com amenorreia secundár...

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Q3834170 Medicina
Uma maratonista de elite de 22 anos, com amenorreia secundária há 18 meses, é avaliada por fadiga crônica e perda de densidade mineral óssea (T-score de -2.0 na coluna lombar). Ela relata treinar 20 horas por semana e manter uma dieta restritiva para otimizar seu desempenho. Seus exames revelam LH e FSH baixos, estradiol baixo, T3 livre ligeiramente abaixo do normal, cortisol basal normal e leptina baixa. A ferritina é normal.
Qual é o diagnóstico etiológico mais provável e a intervenção mais eficaz para reverter o quadro endócrino e prevenir futuras complicações ósseas? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Atleta com baixa disponibilidade energética, amenorreia secundária, LH/FSH baixos, estradiol baixo, leptina baixa e T3 discretamente reduzido configura amenorreia hipotalâmica funcional por supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas; o gabarito correto decorre desse padrão e da necessidade de corrigir a causa com aumento da ingestão calórica e redução do treinamento.

Tema central: Amenorreia hipotalâmica funcional
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque insuficiência ovariana prematura cursa com hipogonadismo hipergonadotrófico, isto é, FSH e LH elevados por falência gonadal primária. Aqui o enunciado mostra o oposto: LH e FSH baixos, compatíveis com supressão central funcional. Além disso, o contexto de exercício excessivo, dieta restritiva e leptina baixa sustenta baixa disponibilidade energética, não falência ovariana.
B
Errada
Está errada porque SOPC não é sustentada pelo padrão hormonal nem pelo contexto clínico. O caso traz estradiol baixo com LH/FSH baixos, indicando hipoestrogenismo hipogonadotrófico por supressão central, e não anovulação típica de SOPC. Além disso, anticoncepcional combinado não corrige a causa fisiopatológica principal quando a amenorreia decorre de baixa disponibilidade energética.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro clínico e laboratorial é típico de amenorreia hipotalâmica funcional por baixa disponibilidade energética. O treinamento intenso associado à dieta restritiva explica a supressão central do eixo reprodutivo, com gonadotrofinas baixas e estradiol reduzido. A leptina baixa e o T3 livre discretamente reduzido reforçam essa adaptação ao balanço energético negativo. Assim, a intervenção mais eficaz para reverter o quadro endócrino e reduzir o risco ósseo é corrigir o déficit energético, com aumento da ingestão calórica e redução da intensidade ou carga de treinamento.
D
Errada
Está errada porque T3 discretamente reduzido, nesse cenário, é marcador adaptativo de restrição energética crônica e não prova hipotireoidismo central. Faltam os dados que sustentariam essa hipótese, como alteração compatível de T4 livre e TSH, e o conjunto clínico é muito mais bem explicado por amenorreia hipotalâmica funcional associada a leptina baixa, treino intenso e dieta restritiva. Iniciar levotiroxina com base apenas nesse achado seria tecnicamente inadequado nesse contexto.
E
Errada
Está errada porque não há evidência de deficiência hipofisária global. O enunciado mostra um quadro seletivamente explicável por supressão funcional do eixo reprodutivo relacionada ao déficit energético, com cortisol basal normal e sem história que sustente panhipopituitarismo congênito manifestando-se apenas na vida adulta. As gonadotrofinas baixas, isoladamente, não provam doença hipofisária estrutural.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre hipoestrogenismo por falência ovariana e hipoestrogenismo por supressão hipotalâmica: estradiol baixo pode aparecer em ambos, mas aqui o dado decisivo é que LH e FSH estão baixos, além do contexto de baixa disponibilidade energética com leptina baixa e T3 discretamente reduzido.
Dica para questões semelhantes
  • Em amenorreia, use o padrão gonadotrófico para localizar o problema: LH/FSH baixos com estradiol baixo apontam para origem central funcional nesse contexto.
  • Associe treino intenso e dieta restritiva a baixa disponibilidade energética; leptina baixa e T3 discretamente reduzido reforçam essa fisiopatologia.
  • Quando houver perda óssea em atleta com amenorreia, pense em tratar a causa do hipoestrogenismo; reposição hormonal isolada não substitui a correção do déficit energético.

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