🎯 Saiba o que estudar

Avançado com Treinador a partir de R$ 0,76/dia

Considere as frases a seguir: É claro que esse nunca foi e...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4156286 Português
 Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.  


As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de quais são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana: a primazia e a abertura de ruas; a circulação livre; os encontros impessoais e anônimos de pedestres; o uso público e espontâneo das ruas e praças; e a presença de pessoas de diferentes grupos sociais passeando e observando os outros que passam, olhando vitrines, fazendo compras, sentando nos cafés, participando de manifestações políticas, apropriando as ruas para seus festivais e comemorações, ou usando os espaços especialmente designados para o lazer das massas. Esses elementos são associados à vida moderna em cidades capitalistas pelo menos desde a reforma de Paris promovida pelo barão de Haussmann na segunda metade do século XIX. No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos. É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar. As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder.

   No entanto, a despeito das persistentes desigualdades e injustiças sociais, as cidades ocidentais modernas sempre mantiveram vários sinais de abertura, sobretudo no que diz respeito à circulação e ao consumo. Esses sinais contribuíram para manter o valor positivo associado à ideia de um espaço público aberto, acessível a todos e a qualquer um.

   As cidades modernas têm servido de cenário para todo tipo de manifestação política. Na verdade, a promessa de incorporação à sociedade moderna incluía não só a cidade e o consumo, mas também a ordem política. As imagens da cidade moderna são análogas àquelas da ordem liberal-democrática, consolidada  a partir da ficção do contrato social entre pessoas livres e iguais e que moldou a esfera política moderna. Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia ser considerado "livre e igual" foram pouco a pouco expandidas. Tanto a cidade aberta e sem exclusões quanto a ordem política incorporando todos os cidadãos como iguais nunca existiram, mas seus ideais fundadores e suas promessas de incorporação mantiveram seu poder por pelo menos dois séculos, dando forma a experiências de cidadania e de vida urbana e legitimando as ações de vários grupos excluídos em suas reivindicações por incorporação.

(Adaptado de: CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34; Edusp, 2011, pp 302 a 305) 
Considere as frases a seguir:
É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar. As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder. (2º parágrafo)
Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. (3º parágrafo)
Os termos sublinhados referem-se, respectivamente, a
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: A resolução depende da identificação dos antecedentes no cotexto imediato: a alternativa correta é a que reconhece a retomada anafórica de “marcadas”, “seu” e “a” conforme sua função referencial no trecho.

Tema central: referência pronominal
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra o primeiro e o terceiro referentes. “Marcadas” não retoma “desigualdades sociais” nem “segregação”; esse particípio se refere ao sujeito “As cidades modernas”. Também erra ao tomar “a” como retomada de “ficção”, quando, em “que a precedeu”, o pronome “a” retoma “ordem social estamental”.
B
Certa
A alternativa B identifica corretamente os três referentes pedidos. “Marcadas” integra a locução verbal passiva “foram sempre marcadas” e atribui essa caracterização ao sujeito “As cidades modernas”. Em “dependendo de sua posição social e de seu poder”, o possessivo “seu” retoma “diversos grupos”, porque são esses grupos que têm posição social e poder. Já em “que a precedeu”, o pronome oblíquo “a” funciona como objeto direto de “precedeu” e retoma “a ordem social estamental”, isto é, a ordem social é o termo precedido.
C
Errada
A alternativa erra o primeiro referente porque “marcadas” predica “As cidades modernas”, não “desigualdades sociais”. Erra também o terceiro, pois o pronome “a” não retoma “ficção”; ele é o objeto direto de “precedeu” e retoma “ordem social estamental”.
D
Errada
A alternativa acerta “cidades modernas” e “ordem social”, mas erra “segregação” como referente de “seu”. No trecho “por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder”, o possessivo distribui essas características aos “diversos grupos”, não à “segregação espacial”.
E
Errada
A alternativa acerta os dois primeiros referentes, mas erra o terceiro. Em “que a precedeu”, o pronome “a” retoma “a ordem social estamental” como objeto direto anafórico de “precedeu”, e não outro termo do trecho.
Pegadinha da questão
A banca explora três confusões reais: tomar, em “foram sempre marcadas”, os termos introduzidos por “por” como referente do particípio; associar “seu” ao termo mais próximo visualmente; e, em “que a precedeu”, não separar o antecedente de “que” do referente de “a”.
Dica para questões semelhantes
  • Em locução passiva, verifique primeiro o sujeito da oração: é ele que recebe a caracterização do particípio.
  • Em possessivos, não escolha o antecedente por proximidade visual; confirme qual termo pode, no sentido do trecho, ter a propriedade indicada.
  • Em estruturas como “que a precedeu”, separe o termo retomado por “que” do termo retomado por “a”, porque eles exercem funções sintáticas diferentes.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Gabarito B

B

B)

Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu.

  • Uma dica é tirar o adjunto adverbial para fazer a analise, pois fica mais fácil a compreenção.

revisar

1- Oque foram marcadas por desigualdades sociais ? As cidades

2- Dependendo de sua posição onde ? No grupo

3- A ordem social precedeu( veio antes ) da ficção

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo