O tempo passa implacavelmente, enquanto pretendemos que deve...

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Q2248993 Português

Atenção

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Tempos, lugares mágicos


        Sim, já faz tempo, éramos jovem casal e estávamos de férias, à toa na vida. Provavelmente aquele nosso cenário mágico de então terá incorporado novidades: haverá lugar incólume ao tempo? Deixemos oculta a medida comum do tempo e digamos que tudo 'aconteceu já faz alguns séculos. cada um carrega dentro de si seu singular relógio emocional. Estávamos os dois na praia de Amaralina, tomando cerveja num fim de tarde de verão (haverá outras estações em Salvador?). Aquele momento azul bem que podia ser eterno, sentíamos. Passamos a conversar sobre o Tempo. imaginei então o que seria feito daquele lugar, dali a um milhão de anos. E especulava, manhoso: “Existirá talvez o planeta, mas alguma coisa guardará algo do sol desta tarde, destes coqueiros, de nós?”

        Você então lembrou que não há eliminação cabal da matéria, há transformações sucessivas. E eu imaginei que, decorridos milênios, nós dois seríamos duas moléculas avulsas, viajantes do espaço que, de repente, poderiam cruzar seus caminhos vertiginosos exatamente onde milênios antes teria havido uma cidade, uma praia, uma conversa e dois. Então lhe propus um pacto: que esses duas moléculas, ao se cruzarem numa fração de segundo em meio a tantas no caos, se façam notar por um quase imperceptível código luminoso, uma faísca fulminante, uma piscadela guardada por milênios no coração da matéria cósmica.

        Você achou minha imaginação exuberante demais e preferiu olhar em volta, conferir a brisa que batia nas folhas dos coqueiros de Amaralina. Há lugares assim, neste nosso planeta: excitam a imaginação até o limite do imponderável, e ao mesmo tempo exercem toda a sua sedução telúrica. Acabamos um chope e andamos um bocado, a tempo de ver o sol desaparecer. Depois, já avistando o Farol da Barra, passei a imaginar que aquele farol mágico, daquela terra mágica, assim que escurecesse passaria a acender estrelas altíssimas. Mas você olhava distraída para algum ponto da linha do horizonte.


(Jehova de Brito, a publicar)

O tempo passa implacavelmente, enquanto pretendemos que deveria caber ao tempo preservar os objetos do nosso afeto, e depois imputamos ao tempo a responsabilidade de corroer os objetos do nosso afeto de modo impiedoso.


Evitam-se as repetições viciosas do período acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:

Alternativas

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Tema central: Regência verbal e uso de pronomes oblíquos átonos. A questão exige reconhecer a relação entre os verbos e seus complementos, fazendo a substituição correta de termos por pronomes, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Análise da alternativa correta (E):

"deveria caber-lhe – imputamos-lhe – corroê-los"

  • Caber: No sentido de "ser responsabilidade de", é transitivo indireto e requer a preposição "a" ("ao tempo"). A substituição correta é o pronome "lhe" (ex: "A ele cabe decidir" → "Cabe-lhe decidir").
  • Imputar: Exige objeto direto ("responsabilidade") e objeto indireto ("ao tempo"), utilizando "lhe" para o indireto (ex: "Imputaram-lhe a culpa").
  • Corroer: É transitivo direto e requer pronome de objeto direto ("os" para "objetos do nosso afeto") + pronome oblíquo átono "os" (ex: "Corroeu-os rapidamente"). Como está após infinitivo ("corroer"), usa-se a forma "corroê-los".

Citação de gramática: Segundo Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra, "caber", sentido de incumbência, é transitivo indireto; "imputar", verbo bitransitivo, aceita apenas "lhe" para o objeto indireto; "corroer" é transitivo direto.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) "cabê-lo": erro, pois "caber" nunca admite "o" e sim "lhe" para objeto indireto.
  • B) "imputam-no": erro, pois "imputar" exige "lhe" para objeto indireto.
  • C) "o deverá caber": incorreto, vale a mesma explicação da alternativa A.
  • D) "o imputamos": erro na regência, deveria ser "imputamos-lhe".

Pegadinhas comuns: Troca entre pronomes de objeto direto ("o", "os") e indireto ("lhe", "lhes"). O segredo é lembrar da regência de cada verbo e identificar se exige preposição (indireto) ou não (direto).

Regra prática: Todo verbo que pede "a alguém" usará "lhe" ou "lhes"; se não houver preposição, opte por "o", "os", "a", "as".

Conclusão: Alternativa E é a única que atende à norma culta no uso dos pronomes oblíquos, fundamentais para a clareza e coesão textual exigidas em provas de Analista Judiciário.

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ênclise depois de advérbio de tempo? aiai

GABARITO PASSIVEL DE ANULAÇAO POIS O ADVERBIO ATRAI A PROCLISE PORTANTO GABARITO CORRETTO E D

O verbo caber (no sentido de "pertencer a") pede um complemento introduzido pela preposição "a" (objeto indireto). "Ao tempo" é um objeto indireto. Os pronomes "o", "a", "os", "as" são pronomes oblíquos que substituem objetos diretos. Para substituir um objeto indireto ("ao tempo"), usamos os pronomes "lhe" ou "lhes". Portanto, a forma correta seria "deveria caber-lhe"

O verbo imputar (no sentido de "atribuir a alguém") também pede um complemento introduzido pela preposição "a" (objeto indireto). "Ao tempo" é o objeto indireto. Mais uma vez, usar "o" para substituir "ao tempo" está incorreto, pois "o" substitui objeto direto.

O verbo corroer aqui é transitivo direto, ou seja, pede um objeto direto ("os objetos do nosso afeto"). O pronome "os" substitui corretamente "os objetos do nosso afeto", e a colocação pronominal "corroê-los" (mesóclise) é a forma adequada para infinitivos seguidos de pronomes.

OBJETO DIRETO = O(S)/A(S)

OBEJTO INDIRETO = LHE(S)

"Depois" é advérbio e por isso atrai o pronome para perto dele, portanto deveria ser usada a próclise. Além disso, o pronome relativo "que" também atrai, e mesmo que tenha uma locução verbal na frente, existe a "atração distante." Considero esse gabarito incorreto.

Gemini:

  • A) "deveria cabê-lo – o imputamos – corroê-los"
  • "deveria cabê-lo": Incorreto. O verbo "caber" é transitivo indireto ou intransitivo. O pronome oblíquo "o" não pode ser usado com "caber" nesse sentido de "pertencer/ser responsabilidade". O correto seria "caber-lhe" (ao tempo).
  • "o imputamos": Incorreto. O verbo "imputar" (atribuir culpa/responsabilidade) é transitivo direto e indireto. Quem imputa, imputa algo (objeto direto) a alguém (objeto indireto). "Imputamos ao tempo a responsabilidade". Para substituir "ao tempo", usa-se "lhe". Então, "imputamos-lhe".
  • "corroê-los": Correto. "Corroer os objetos do nosso afeto" pode ser substituído por "corroê-los".
  • B) "lhe deverá caber – imputam-no – lhes corroer"
  • "lhe deverá caber": Correto. O "lhe" se refere a "ao tempo", e a colocação pronominal está correta antes do verbo auxiliar.
  • "imputam-no": Incorreto. O sujeito da oração é "nós" (imputamos, 1ª pessoa do plural). "Imputam-no" seria para a 3ª pessoa do plural ("eles/elas"). Além disso, o pronome para "ao tempo" deveria ser "lhe".
  • "lhes corroer": Incorreto. "Lhes" seria para o objeto indireto (a eles/elas). "Corroer os objetos" requer um pronome de objeto direto ("os").
  • C) "o deverá caber – lhe imputamos – corroê-los"
  • "o deverá caber": Incorreto. Pelo mesmo motivo da alternativa A, "o" não combina com "caber" nesse contexto.
  • "lhe imputamos": Correto. "Lhe" substitui "ao tempo" (objeto indireto).
  • "corroê-los": Correto.
  • D) "deveria caber-lhe – o imputamos – os corroer"
  • "deveria caber-lhe": Correto. O "lhe" se refere a "ao tempo".
  • "o imputamos": Incorreto. Pelo mesmo motivo da alternativa A, o pronome para "ao tempo" deveria ser "lhe".
  • "os corroer": Correto. "Corroer os objetos" pode ser substituído por "corroê-los" (preferencialmente com o pronome enclítico ao infinitivo) ou "os corroer" (se houver uma preposição ou não estiver no infinitivo não flexionado). Aqui, "corroê-los" é a forma mais comum e fluida.
  • E) "deveria caber-lhe – imputamos-lhe – corroê-los"
  • "deveria caber-lhe": Correto. O "lhe" substitui "ao tempo".
  • "imputamos-lhe": Correto. O "lhe" substitui "ao tempo", que é o objeto indireto de "imputar".
  • "corroê-los": Correto. O "los" substitui "os objetos do nosso afeto".

A alternativa E é a única que substitui corretamente todos os elementos, evitando as repetições e mantendo a concordância e regência verbais.

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