As abelhas dançam para se comunicar. Mas
precisam de aulas de dança
Você não nasceu sambando – e nem as abelhas. No
caso delas, a dança é vital para a comunicação e um
passo em falso pode prejudicar uma colega
Por Leo Caparroz
13 mar 2023
A dança das abelhas é um tipo singular de
comunicação. Elas usam seu gingado para avisar as
companheiras de colmeia sobre a localização das
melhores flores, com mais néctar. Através dos seus
passinhos, as colegas sabem a distância, direção e
qualidade do alimento que a mensageira encontrou.
Porém, assim como nós precisamos treinar nosso
molejo, as abelhas não nascem pés de valsa.
Cientistas descobriram que, durante a juventude, elas
aprimoram esses movimentos ao tocar suas antenas
nos corpos das dançarinas mais experientes – se não
o fizerem, suas danças terão mais erros e suas
direções não serão tão precisas.
Essa dança comunicativa é difícil de executar, e
um passo errado pode mandar uma abelha para um
lugar diferente do desejado. Quando as operárias
mais velhas retornam à colmeia e executam a dança,
as novatas observam com atenção e, com isso,
aprendem a dançar de um jeito que gere melhores
mapas. Esse período de aprendizado, quando a
jovem operária tem cerca de 8 dias de idade, é crucial
para que ela aperfeiçoe sua técnica.
Os pesquisadores também descobriram que,
quando as operárias novatas perdiam as aulas de
dança, suas direções eram mais descuidadas e com
mais incoerências. Alguns aspectos melhoraram com
a prática, mas outros foram internalizados
incorretamente e mantidos assim. No estudo, eles
criaram cinco colônias onde todas as abelhas tinham
a mesma idade. Sem nenhuma anciã para guiá-las,
elas tiveram que descobrir os segredos da dança por
conta própria; ao contrário de outras cinco colônias de
controle, feitas de forma mais natural. Quando os
insetos alcançaram idade suficiente para sair e
procurar flores, os autores registraram e compararam
as danças dos dois grupos.
Em suas primeiras tentativas, as abelhas
destreinadas tinham danças que erravam mais em
comunicar ângulos de direção e distância. À medida
que ganhavam mais experiência, elas ficavam
melhores – com 20 dias de idade, já amadurecidas e
experientes, elas se movimentaram tão bem quanto
dançarinas criadas em uma colmeia normal. Contudo,
elas ainda falhavam em comunicar a distância
corretamente. Os pesquisadores montaram as
colmeias para que ambos os grupos tivessem que
percorrer as mesmas distâncias até o alimento, mas
as abelhas destreinadas dançavam como se fosse
mais longe do que o normal.
A pesquisa serve para demonstrar que a dança das
abelhas não é completamente inata, mas que tem
influência de seu meio, sendo parcialmente moldada
pelo aprendizado social e compartilhamento de
técnicas. No fim das contas, todas elas eram capazes
de dançar; porém, as que tiveram “professores” mais
experientes dançavam muito melhor.
Adaptado de: https://super.abril.com.br/ciencia/as-abelhas-dancampara-se-comunicar-mas-precisam-de-aulas-de-danca/ Acesso em:
27 mar. 2024.
No trecho “Porém, assim como nós precisamos
treinar nosso molejo, as abelhas não nascem pés
de valsa.”, a expressão em destaque estabelece,
em relação a outra oração, o sentido de