No transplante renal na infância, qual a doença primária ma...
Gabarito comentado
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Tema central: recorrência de doenças glomerulares após transplante renal pediátrico. A pergunta busca qual doença de base mais tende a recorrer no enxerto, não qual é a mais comum como causa de DRC na infância.
Alternativa correta: C — Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF/FSGS)
Por quê? A FSGS é a glomerlopatia que mais recorre após transplante em crianças, com taxas de 30–50% (e até maiores em alguns registros pediátricos). A recorrência costuma ser precoce (proteinúria nefrótica nas primeiras 24–72 h) e decorre de um provável fator circulante de permeabilidade que lesa podócitos (hipótese do suPAR e outras moléculas). Fatores de risco: idade jovem, síndrome nefrótica com hipoalbuminemia grave, progressão rápida para DRET e perda prévia de enxerto por recorrência. Confirmação por biópsia (fusões difusas de pedicelos, podendo preceder esclerose segmentar). Conduta: plasmaférese precoce, inibidores de calcineurina (tacrolimo), corticosteroides e, em casos selecionados, rituximabe. Diretrizes e registros (KDIGO Transplant, UpToDate, NAPRTCS/ESPN) corroboram esses dados.
Análise das alternativas incorretas
A) Nefrite lúpica: Pode reaparecer, mas a recorrência clínica significativa é baixa (em geral <10%), até porque o paciente transplantado já recebe imunossupressão potente. Não é a mais recorrente na pediatria. (KDIGO, UpToDate)
B) Síndrome hemolítico-urêmica (SHU): Distinguir: SHU típica (Shiga-toxina) quase não recorre; SHU atípica (via do complemento) tem alta recorrência, porém é menos prevalente como causa primária de transplante em crianças. Além disso, o uso de eculizumabe reduziu substancialmente a recorrência. Portanto, no conjunto dos transplantes pediátricos, a FSGS continua sendo a mais recorrente. (KDIGO, UpToDate)
D) Glomerulonefrite pós-infecciosa: Geralmente autolimitada e raramente leva à DRET; recorrência no enxerto é excepcional. Não é candidata a “mais recorrente”.
E) Síndrome de Alport: Doença genética da GBM; não recorre no enxerto, pois o rim do doador tem colágeno IV normal. Complicação rara é nefropatia anti-MBG de novo (2–5%), que não caracteriza recorrência da Alport.
Estratégia de prova: destaque a palavra-chave “recorrente”. Em transplante (especialmente pediátrico), lembre: FSGS = campeã de recorrência. Cuidado com a pegadinha da SHU: a atípica recorre, mas é menos frequente e hoje há prevenção com anti-C5.
Resumo para levar à prova: Recorrência precoce de proteinúria nefrótica pós-transplante em criança sugere FSGS recorrente; pense em plasmaférese + calcineurina. Lupus raro, PIGN raríssima, Alport não recorre, SHU atípica é cenário específico.
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