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Q3366398 Medicina
Na diálise peritoneal complicada por peritonite fúngica, qual é a conduta a ser tomada?
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Tema central: Peritonite fúngica em diálise peritoneal (DP) é uma complicação grave, associada a biofilme no cateter, alta falha de tratamento e risco de disseminação. Requer abordagem imediata e combinada.

Alternativa correta: D – Remoção do cateter e tratamento antifúngico

Justificativa clínica: Fungos (sobretudo Candida spp.) aderem ao cateter formando biofilme, o que torna a erradicação impossível com antifúngico isolado. As diretrizes da ISPD (International Society for Peritoneal Dialysis, 2022) recomendam retirada imediata do cateter e início de antifúngico sistêmico, com transição temporária para hemodiálise. A duração usual é de 2–4 semanas, e pelo menos 14 dias após a retirada do cateter, ajustando-se ao patógeno e à resposta clínica. Echinocandinas (ex.: caspofungina) ou fluconazol (se espécie suscetível) são opções frequentes; anfotericina B lipossomal pode ser usada quando necessário. Evita-se anfotericina B desoxicolato intraperitoneal por risco de peritonite química.

  • Diagnóstico (resumo): dor abdominal, efluente turvo, contagem >100 células/μL com predominância de PMNs e cultura positiva para fungo. Frequente após uso prévio de antibióticos. (ISPD 2022; UpToDate; Harrison’s)
  • Conduta prática: retirar cateter + antifúngico sistêmico + HD temporária; reimplante de cateter apenas após resolução clínica e culturas negativas.

Análise das alternativas incorretas

  • A) Fluconazol 6–12 mg a cada 24–48 h por 10 dias: posologia inadequada (dose muito baixa; usual 200–400 mg/dia, ajustando à função renal/DP) e tempo insuficiente. Além disso, não resolve sem retirar o cateter. (ISPD 2022; IDSA 2016 Candidíase)
  • B) Anfotericina B 0,5–1 mg/kg/dia por 14 dias: embora antifúngico ativo, monoterapia sem retirada do cateter falha devido ao biofilme. Duração tende a ser 2–4 semanas e preferem-se formulações lipídicas quando indicadas. Evitar via intraperitoneal desoxicolato. (ISPD 2022)
  • C) Retirada do cateter: passo essencial, porém incompleto; é obrigatório associar antifúngico sistêmico para tratar peritonite e prevenir disseminação. (ISPD 2022)
  • E) Voriconazol 6 mg/kg/dose por 4 semanas: não é primeira escolha para Candida spp.; reservado para Aspergillus ou Candida resistente. Ainda assim, sem retirar o cateter o tratamento é inadequado. (IDSA; UpToDate)

Dica de prova (pegadinha): Em “peritonite fúngica na DP”, memorize o binômio retirar cateter + antifúngico sistêmico. Alternativas que trazem apenas um dos componentes estão incompletas. Desconfie de posologias estranhas (como “6–12 mg”) e de durações curtas.

Fontes: ISPD Peritonitis Recommendations 2022; IDSA Candidiasis Guideline; UpToDate (Peritoneal dialysis–related peritonitis); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: D – Remoção do cateter e tratamento antifúngico.

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