Indique qual dos seguintes achados ecocardiográficos é cons...
Gabarito comentado
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Tema central: diagnóstico ecocardiográfico do tamponamento cardíaco. O tamponamento ocorre quando a pressão intrapericárdica supera a pressão intracavitária, colabando primeiro as câmaras de menor pressão (átrio direito e, em seguida, ventrículo direito no início da diástole).
Alternativa correta: A — Colapso diastólico do ventrículo direito. É o achado ecocardiográfico mais específico para tamponamento. Quando a pressão pericárdica excede a pressão diastólica do VD, ocorre colapso em início de diástole (mais evidente na via de saída do VD, em subcostal/paraesternal), refletindo comprometimento hemodinâmico. Esse sinal tem alta especificidade e correlaciona-se com a gravidade. Diretrizes da ESC (2015) e recomendações da ASE reforçam esse ponto; o UpToDate também destaca o VD diastólico como o sinal mais específico.
Como pensar na prova: peça identificando “mais específico” vs “mais sensível”. Colapso diastólico do VD = mais específico. Plenitude da VCI e colapso do AD = mais sensíveis, porém menos específicos.
Análise das alternativas incorretas
B - Dilatação da VCI sem colapso inspiratório: indica pressão elevada no AD (“plethora caval”), sendo sinal sensível, não específico. Ocorre em outras condições: sobrecarga de volume, hipertensão pulmonar, ventilação com pressão positiva, tromboembolismo pulmonar. Não define tamponamento isoladamente (ESC 2015; ASE).
C - Colapso diastólico da VCI: conceitualmente incompatível com tamponamento. O esperado é ausência de colapso inspiratório (plenitude), não colapso diastólico. Logo, está incorreta por erro fisiopatológico.
D - Aumento do fluxo diastólico reverso hepático: pode ocorrer (reversão diastólica, sobretudo na expiração) devido à restrição ao enchimento do VD, mas é menos específico e também visto em pericardite constritiva e outras situações. Sinal adjunto, não o mais específico.
E - Efluxo pulmonar sistólico reverso: refere-se ao Doppler de veias pulmonares; sistólica reversa é mais associada a insuficiência mitral significativa ou disfunções do átrio esquerdo. No tamponamento, o típico é variação respiratória dos fluxos mitral e tricúspide (≥25% mitral, ≥40% tricúspide), não reversão sistólica pulmonar.
Resumo prático (eco no tamponamento): derrame pericárdico + colapso AD (sensível), colapso diastólico do VD (mais específico), VCI dilatada sem colapso, e variações respiratórias acentuadas nos fluxos AV. Clinicamente, lembrar de pulsus paradoxus, hipotensão e taquicardia (Harrison’s; UpToDate).
Referências: ESC Guidelines for the Diagnosis and Management of Pericardial Diseases (2015); ASE Recommendations for Echocardiography in Pericardial Disease; UpToDate – Cardiac tamponade in adults: Echocardiographic diagnosis; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: A.
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