Uma variedade de doenças pode levar à disfunção hepática e a...

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Q3953370 Odontologia
Uma variedade de doenças pode levar à disfunção hepática e a uma coagulopatia concomitante. Portanto, o sangramento é uma preocupação para os cirurgiões-dentistas quando os pacientes com doenças hepáticas requerem procedimentos invasivos. Além disso, a utilização de medicamentos e de anestésicos locais também requer cuidados. Referente ao atendimento a esses pacientes, assinale a alternativa correta. 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em hepatopatas, a questão se resolve pela necessidade de cautela com fármacos que dependem do metabolismo hepático ou aumentam risco de sangramento e depressão do SNC; no caso, isso torna correta a alternativa que inclui metronidazol, AINEs e opioides.

Tema central: Hepatopatia e prescrição
Análise das alternativas
A
Errada
O erro é atribuir ao hemograma completo com plaquetas a capacidade de prever cicatrização. Esse exame pode ajudar na avaliação hematológica e no risco hemorrágico, especialmente quanto a trombocitopenia, mas cicatrização não é definida por hemograma isolado. Além disso, em hepatopatia, hemostasia e reparo tecidual são dimensões diferentes; portanto, a afirmação falha no critério médico central.
B
Errada
A alternativa erra na farmacocinética da articaína. Embora seja anestésico do tipo amida, ela sofre importante biotransformação por esterases plasmáticas e teciduais, com menor dependência exclusiva do fígado do que a frase sugere. Por isso, está incorreto dizer que deve ser evitada em hepatopatas por sua metabolização.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve a conduta farmacológica compatível com o paciente hepatopata no contexto odontológico. Os AINEs aumentam risco de sangramento e podem piorar complicações funcionais, os opioides podem ter depuração reduzida com maior sedação e depressão do SNC, e o metronidazol depende de metabolismo hepático e pode acumular, elevando toxicidade e interações. O ponto decisivo não é proibição absoluta universal, e sim a necessidade de evitar ou prescrever com cautela, exatamente como a alternativa afirma.
D
Errada
O problema é duplo: não é prudente indicar benzodiazepínicos de forma ampla em comprometimento hepático, e o diazepam especificamente não é o benzodiazepínico de escolha nesse cenário. Ele tem metabolismo hepático importante e meia-vida longa, o que aumenta risco de sedação prolongada e encefalopatia. Portanto, a alternativa propõe conduta farmacologicamente inadequada para hepatopatas.
E
Errada
A alternativa descreve como frequentes manifestações que não são típicas da disfunção hepática. Segundo a base, hipergeusia, língua fissurada e língua geográfica não compõem o padrão frequente característico de hepatopatia. O erro aqui é semiológico: mistura achados orais inespecíficos com manifestações realmente associadas à doença hepática.
Pegadinha da questão
A banca explora três confusões reais: achar que hemograma prevê cicatrização, generalizar que toda amida anestésica depende do fígado da mesma forma e estranhar a alternativa C por parecer ampla demais, quando justamente a formulação correta em hepatopatas é evitar ou usar com cautela.
Dica para questões semelhantes
  • Em hepatopatas, se a alternativa envolver AINEs, opioides ou metronidazol, pense em risco de sangramento, acúmulo por metabolismo reduzido e maior toxicidade.
  • Não use hemograma com plaquetas como sinônimo de previsão de cicatrização; ele pode ajudar na avaliação hematológica, mas não define reparo tecidual.
  • Se a questão cobrar anestésico local em hepatopatia, lembre que a articaína não deve ser excluída genericamente por metabolismo hepático.
  • Em disfunção hepática, desconfie de alternativas que liberem benzodiazepínicos de rotina ou indiquem diazepam como escolha preferencial.

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Comentários

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Metronidazol, AINEs e opioides exigem cautela extrema ou evitação em hepatopatas devido à metabolização hepática reduzida, risco de toxicidade, sangramento e disfunção cerebral (encefalopatia). AINEs aumentam o risco de sangramento e lesão renal, enquanto opioides e metronidazol têm eliminação prejudicada, exigindo ajuste de dose.

Embora a gestão da ansiedade em pacientes com disfunção hepática seja importante, o diazepam não é a droga de escolha nesses casos; benzodiazepínicos de ação curta e sem metabolismo oxidativo complexo (como lorazepam ou oxazepam) são preferíveis.

Embora problemas hepáticos causem manifestações bucais, a hipergeusia (aumento da sensibilidade gustativa) não é a alteração comum, sendo a disgeusia (distorção) ou hipogeusia (redução) mais prováveis.

Ao contrário da maioria dos anestésicos amidados, a articaína é considerada uma das opções mais seguras para pacientes com problemas hepáticos.

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